domingo, 24 de julho de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
A fuga
Num deste dias agitados, em que se tem mil coisas diferentes para fazer, encontramos Justin, o filho de quatro anos de idade de um jovem casal.
O garoto não parava de fazer bagunça, e depois de ouvir seu pai pedir por várias vezes para que sossegasse um pouco, acabou ficando de castigo no canto da sala.
Justin chorou, esperneou, emburrou e finalmente disse: "vou fugir de casa."
A primeira reação da mãe foi de surpresa que, irritada, falou: "ah, vai?"
Quando ela virou-se e o olhou, ele parecia um anjo, tão pequeno, encolhido ali no canto, com um ar tão triste...
Ela decidiu largar tudo que estava fazendo e parou.
Com o coração partido, ela lembrou-se de uma passagem de sua própria infância, quando ela também quis fugir de casa porque se sentia rejeitada e incompreendida.
Ela sabia que ao anunciar "vou fugir da casa", Justin estava dizendo: "por favor, prestem mais atenção em mim. Eu também sou importante. Por favor, façam com que eu me sinta desejado e amado incondicionalmente."
"Tudo bem, Justin, você vai poder fugir de casa", falou a mãe baixinho para ele, enquanto começava a pegar umas roupas em seu armário e colocar numa sacola.
"Mamãe", ele perguntou, "o que você está fazendo?"
Ela assim respondeu: "se você vai fugir de casa, então mamãe vai com você, porque não quero ver você sozinho nunca. Gosto muito de você, Justin."
Ela então o abraçou, e ele perguntou, surpreso: "por que você quer ir comigo?"
Ela olhou-o com carinho e disse: "porque eu gosto muito de você e vou ficar muito, muito triste se você for embora. E também quero tomar conta de você para que nada de mal aconteça."
"Papai também pode ir?" - perguntou ele, com uma voz acanhada.
"Não, papai tem que ficar com seus irmãos, e papai tem de trabalhar e tomar conta da casa quando nós não estivermos aqui."
"O meu hamster pode ir?"
"Não, ele também tem que ficar aqui."
Justin parou um instante para pensar e disse: "mamãe, podemos ficar em casa?"
"Claro, Justin, podemos ficar em casa."
"Mamãe." - disse ele suavemente.
"O que é Justin?"
"Eu amo você."
"Eu amo você também, querido, muito, muito, muito. Que tal me ajudar a fazer pipoca?"
"Oba! Tudo bem." - e lá se foi Justin com sua mãe.
Naquele instante ela se deu conta da maravilhosa dádiva que é ser mãe. De como somos fundamentais quando levamos a sério a responsabilidade sagrada de ajudar uma criança a desenvolver o sentido de segurança e o amor-próprio.
Abraçando Justin, ela percebeu que em seus braços tinha o tesouro inestimável da infância, uma pessoinha que dependia do amor e segurança que recebesse, do atendimento de suas necessidades, do reconhecimento de suas características únicas para tornar-se um adulto feliz.
Ela aprendeu que, como mãe, jamais deve "fugir" da oportunidade de mostrar aos seus filhos que eles são amados, desejados e importantes - o presente mais precioso que Deus lhe deu.
Lois Krueger
domingo, 10 de julho de 2011
VINTE CONSELHOS EFICAZES NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Todos nós sabemos como é importante ter uma boa e sólida relação com nossos filhos. Esta é a porta principal que nos permite navegar por suas personalidades e compreendê-los melhor e que nos leva a ter uma família estável e melhor. A seguir, damos 20 conselhos simples e eficazes que ajudarão no desenvolvimento de uma relação excelente com nossos filhos.
1. Destine um tempo para cada um de seus filhos. Almoce com um deles, caminhe com o outro, ou mesmo saia com cada um deles separadamente. É importante que você faça com que cada um dos filhos se sinta amado individualmente, sem comparação com os irmãos. Se eles se sentirem comparados, tentarão competir pela atenção dos pais; neste caso, um ou mais deles poderia isolar-se e se sentir inseguro sem que você saiba disto!
2. Ajude-os a construir a autoconfiança, estimulando-os e apreciando cada esforço e não só os resultados do esforço como, infelizmente, muitos de nós fazemos.
3. Comemore suas conquistas diárias, como por exemplo, um almoço especial porque seu filho entrou para o time de futebol ou porque sua filha teve boas notas nos exames. Isto fará com que cada um deles sinta que você está interessado em suas vidas e conquistas. Nunca seja assim apenas com um deles mesmo que os outros não consigam nada. Se você procurar bem sempre encontrará alguma conquista dentro deles. Certifique-se de que você aja simbolicamente para que eles não se rivalizem agressivamente em lugar de serem felizes com as conquistas dos outros.
4. Ensine seus filhos a pensarem positivamente. Assim, em vez de se queixar que seu filho voltou sujo da escola e se sentou para almoçar sem lavar as mãos, diga-lhe: “Parece que você se divertiu hoje na escola”.
5. Pegue o álbum de fotografias de seus filhos de quando eram bem pequenos e conte-lhes algumas histórias desta época de suas vidas e que eles não se lembram.
6. Fale de algumas coisas que você aprendeu com eles e lembre-lhes de como eles o ajudaram.
7. Diga-lhes como é maravilhoso ser pai deles e como você aprecia vê-los crescer.
8. Faça com que seus filhos escolham suas próprias roupas. Agindo assim, você estará demonstrando como respeita a decisão deles.
9. Interaja com seus filhos quando estiver brincando com eles, como, por exemplo, suje suas mãos com barro ou aquarela, etc.
10. Conheça a carga horária escolar de seus filhos, seus professores e amigos para que você não pergunte a eles quando voltam da escola: “o que você fez hoje?” e sim: “então, o que seu amigo (dizer o nome do amigo) fez hoje ou o que o seu professor disse a você?” Isto fará com que as crianças sintam que você conhece suas vidas em detalhe e que você se importa com eles.
11. Quando seu filho pedir alguma coisa, não fale com ele/ela enquanto você estiver ocupado com alguma coisa, como quando as mães falam com os filhos enquanto estão cozinhando ou vendo TV, mas dê a eles total atenção e olhe direto em seus olhos quando estiverem falando com você.
12. Almoce com sua família pelo menos uma vez por semana e discuta com todos as questões da última semana. Lembre-se de não só ouvir mas, também tentar participar, contando-lhes alguma coisa que lhe tenha acontecido na última semana também.
13. Escreva palavras amorosas e encorajadoras, orações e até piadas em pequenos pedaços de papel para seus filhos e coloque-os próximo à cama deles ou em suas mochilas se você sai mais cedo do que eles. Isto fará com que sintam que você pensa neles todo o tempo.
14. Faça seus filhos ouvirem você enquanto estiverem em outro cômodo da casa. Diga alto o quanto você os ama e como você se orgulha deles.
15. Quando seus filhos fizerem suas pinturas, coloque-as em um canto especial da casa e faça com que sintam o orgulho que você sente deles.
16. Não trate seus filhos da mesma forma que você foi tratado por seus pais, o que poderia destruí-los psicologicamente.
17. Quando seu filho fizer algo errado, em vez de censura-lo “Você fez isto errado” diga “Por que você fez isso assim?” e ensine a ele a forma correta.
18. Crie uma senha ou símbolo que mostre seu amor por cada um de seus filhos e certifique-se de que ninguém mais tenha conhecimento disto.
19. Tente começar um novo dia sempre que o sol se levantar e se esqueça de todos os erros passados como se cada novo dia trouxesse uma nova oportunidade de amar seus filhos mais do que antes e descubra novos dons neles.
20. Beije seus filhos todos os dias, abrace-os e diga-lhes que você os ama. Independente do número de vezes que você faça isto, eles sempre precisarão saber de sua paixão por eles em cada etapa da vida deles. Mesmo quando forem adultos ou quando se casarem e tiverem seus próprios filhos.
(Sociedade Beneficente Muçulmana)
sábado, 9 de julho de 2011
Celular - malefícios
Recebi do amigo Albeni, e penso que vale a pena repassar, afinal nossos filhos também usam celular hoje em dia, especialmente para ouvir músicas. Cuidado nunca é demais! É pps - clique para baixar.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
Conselhos de Dom Bosco aos Pais e Educadores

1. Valorize o seu filho.
Quando respeitado e estimado, o jovem progride e amadurece.
2. Acredite no seu filho.
Mesmo os jovens mais “difíceis” trazem bondade e generosidade no coração.
3. Ame e respeite o seu filho.
Mostre a ele, claramente, que você está ao seu lado, olhe-o nos olhos. Nós é que pertencemos a nossos filhos, não eles a nós.
4. Elogie seu filho sempre que puder.
Seja sincero: quem de nós não gosta de um elogio?
5. Compreenda seu filho.
O mundo hoje é complicado, rude e competitivo. Muda todo dia. Procure entender isto. Quem sabe ele está precisando de você, esperando apenas um toque seu.
6. Alegre-se com o seu filho.
Tanto quanto nós, os jovens são atraídos por um sorriso; a alegria e o bom humor atraem os meninos como mel.
7. Aproxime-se de seu filho.
Viva com o seu filho. Viva no meio dele. Conheça seus amigos. Procure saber onde ele vai, com quem está. Convide-o a trazer seus amigos para a sua casa. Participe amigavelmente de sua vida.
8. Seja coerente com o seu filho.
Não temos o direito de exigir de nosso filho atitudes que não temos. Quem não é sério não pode exigir seriedade. Quem não respeita, não pode exigir respeito. O nosso filho vê tudo isso muito bem, talvez porque nos conheça mais do que nós a ele.
9. Prevenir é melhor do que castigar o seu filho.
Quem é feliz não sente a necessidade de fazer o que não é direito. O castigo magoa, a dor e o rancor ficam e separam você do seu filho. Pense, duas, três, sete vezes, antes de castigar. Nunca com raiva. Nunca.
10. Reze com seu filho.
No princípio pode parecer “estranho”. Mas a religião precisa ser alimentada. Quem ama e respeita a Deus vai amar e respeitar o seu próximo.
“Quando se trata de educação não se pode deixar de lado a religião”.
Conselhos práticos

Introdução
Conselhos para educadores
INTRODUÇÃO
A utilização da Internet constitui um desafio para a educação dos nossos filhos e dos nossos alunos.
Acontece muito frequentemente que os deixamos a navegar na Internet sem nos envolvermos muito e,
muitas outras vezes, nem sabemos como ela funciona nem estamos suficientemente conscientes das
oportunidades e dos riscos que implicam. Se não temos Internet em casa, é possível que os nossos
filhos naveguem na escola, na biblioteca ou na casa dos amigos e, nestas situações, ainda temos
menos oportunidade de supervisionar o que eles fazem.
Temos dado conta que determinada informação existente na Internet não é apropriada para os nossos
filhos e alunos, ou pelo menos para certas idades. Embora com pouca frequência, ocorrem incidentes
em que indivíduos sem escrúpulos contactam com menores e adolescentes através da Internet com a
intenção de os prejudicar. Da mesma maneira que os aconselhamos a circular pela rua de maneira
segura, podemos orientar os nossos filhos e alunos a navegar autonomamente pela Internet.
CONSELHO PARA EDUCADORES (famílias e professores)
A melhor maneira de prevenir situações de risco e ajudar os nossos filhos e alunos a navegar com
segurança consiste em:
• Tentar que estejam conscientes dos benefícios e dos riscos da Internet.
• Procurar que saibam navegar de uma maneira responsável.
• Proporcionar estratégias para que possam proteger-se enquanto navegam.
Tendo em vista alcançar estes objectivos, vamos começar por apresentar alguns conselhos práticos
muito simples que lhes podem ser muito úteis. Recomendamos que falem com os menores e os
adolescentes. Se considerarem aconselhável, podem adequar estes conselhos ou acrescentar mais
alguma sugestão.
1) Familiarização pessoal com a Internet
2) Falar abertamente com os menores e os adolescentes sobre o uso da Internet
3) Navegar juntos
4) Obter informação sobre programas de prevenção
5) Solicitar informação sobre a política de segurança da Escola
6) Estabelecer régras básicas de segurança em casa e na escola
7) Colocar o computador num local frequentado por toda a família
8) Ensinar os menores e os adolescentes a navegar com segurança
9) Seleccionar sítios Web seguros
10) Perante um problema, reagir a tempo
1. Familiarização pessoal com a Internet
Para podermos ajudar os nossos filhos e alunos a navegar pela Internet de maneira segura é melhor
que conheçamos esta nova tecnologia de informação e comunicação. Não é necessário que sejamos
especialistas, basta que naveguemos um pouco. Da mesma maneira que, para conduzir a um carro, não
necessitamos de saber como funciona um motor de combustão, para ver como os nossos filhos e
alunos usam um computador não faz falta conhecer todos os seus componentes. Inclusivamente, se
souberem mais do que nós, podemos pedir-lhes que nos ensinem a manusear melhor o computador.
Para aprender a usar a Internet temos os Espaços Internet das Câmaras Municipais, as bibliotecas
públicas e as associações culturais que oferecem, a maior parte das vezes, cursos de curta duração
gratuitos ou a preços muito económicos. Também nos podemos pôr em contacto com a Associação de
pais da Escola dos nossos filhos e propor a organização de cursos para adultos.
Para além de conhecer um pouco melhor o funcionamento da Internet, vale a pena que estejamos
conscientes dos benefícios e dos riscos da rede. Desse modo podemos ajudar os menores ao navegar
de uma maneira gratificante.
2. Falar abertamente com os menores e adolescentes sobre o uso da Internet
Mostrar interesse pelo que os menores e adolescentes fazem com o computador, tanto em casa como
na escola, na biblioteca pública ou na casa dos amigos, ajudar-nos-á a estar alerta relativamente aos
possíveis riscos da sua utilização.
É necessário manter uma boa comunicação com os nossos filhos e alunos e procurar que nos informem
sempre que vejam algo de que não gostem ou com que se sintam incomodados. Também é importante
que se habituem a apresentar-nos os amigos que mantêm pela rede.
Se os nossos filhos ou os nossos alunos nos disserem que se encontraram com um internauta ou que se
confrontaram com alguma coisa que os tenha incomodado, é melhor não os culpar. É preferível tentar
compreender o que se passa e ajudá-los a evitar problemas futuros. É necessário recordar que, se a
nossa reacção não for negativa, as crianças e os adolescentes terão a confiança suficiente e recorrerão
a nós sempre que estejam perante algum problema. Acima de tudo é importante ajudá-los a sair da situação e, posteriormente, ajudá-los a, no futuro, evitar problemas similares.
A melhor estratégia passa por trabalhar amiúde com eles, de modo que possam aprender acerca do
que aconteceu, adquirir hábitos de segurança e saber como se proteger sem a nossa ajuda. Estabelecer
uma atmosfera de confiança no que se refere ao uso da rede, ajudar-nos-á a impedir situações de risco.
3. Navegar juntos
Outro bom método de prevenção contra os possíveis riscos da Internet consiste em realizar actividades
lúdicas e familiares e estar com eles a maior parte das vezes que utilizam a Internet. Os computadores
podem oferecer uma das melhores e mais divertidas “viagens” possível de ser partilhada por grandes e
pequenos. Sobre este tema, recomendamos a leitura do Livro "A Família em Rede" de Seymour Papert;
Edição Relógio d'Água.
Quando nos ligamos à Internet, não devemos preocupar-nos se reparamos que os menores têm mais
facilidade que nós para usar o computador. Podemos deixar que sejam eles a orientar as sessões, pedir
que nos mostrem o que sabem, o que fazem e como têm acesso aos serviços que utilizam, bem como
muitas outras perguntas que julguemos proveitosas. Isso pode ser uma boa achega para elevar a sua
auto estima.
Ao mesmo tempo, podemos ensiná-los e facultar-lhes recursos de modo que saibam usar
responsavelmente a Internet. Por exemplo, podemos comentar com eles a diferença entre publicidade e
conteúdos educativos ou de lazer e mostrar exemplos.
4. Obter informação sobre filtros
As ferramentas mais conhecidas são os filtros, que limitam o acesso a conteúdos nocivos. Existem
também motores de pesquisa especificamente projectados para serem utilizados por crianças. A maior
parte destes programas podem ser configurados pelos pais para filtrar os locais que contêm pornografia
ou violência, ou que defendem e patrocinem o uso de drogas, tabaco e álcool. Outros podem ser
configurados para impedir as crianças de revelar informação de carácter pessoal: nome, endereço
postal, número de telefone.
É importante que os educadores conheçam a existência destas ferramentas de modo que possam
livremente considerar a possibilidade de instalar alguma delas no computador de casa ou da escola. Por
isso, é necessário que se informem e estudem qual o produto mais adequado para atingir os seus
intuitos.
Também se recomenda falar com um fornecedor de serviços Internet e perguntar se possuem
recomendações práticas para uma ligação à Net mais segura e quais os melhores instrumentos de
prevenção disponíveis no mercado. Uma coisa é certa, o sector das telecomunicações está cada vez tomando mais consciência sobre a necessidade de medidas de segurança. Isso pode fazer com que
cada vez se ofereça mais serviços e sugestões para ajudar os educadores a proteger os menores e fazer
com que eles possam navegar em segurança.
No caso em que decidamos empregar algum tipo de controlo técnico de acesso à Internet, devemos ser
conscientes de que não são 100% eficazes e devemos continuar a supervisionar a navegação dos
menores e adolescentes. Estas ferramentas podem ser úteis para ajudar os pais a controlar e
acompanhar a actividade dos filhos na Internet, mas não dispensam de modo algum a sua vigilância.
Também se recomenda falar com eles sobre os motivos que levam à utilização destes meios de
prevenção.
5. Solicitar informação sobre a política de segurança da escola
Do ponto de vista dos pais, seria interessante conhecer as medidas de prevenção que as escolas e as
bibliotecas adoptam para prevenir o acesso a conteúdos nocivos na Internet. Podemos falar do assunto
com outros pais e mães que conheçamos e, na medida possível, contribuir para sensibilizar sobre uma
utilização segura da Internet. Entre todos, poderemos definir a melhor maneira de os proteger as
crianças e os adolescentes.
6. Estabelecer regras básicas de segurança em casa e na escola
Recomenda-se que, em conjunto com os jovens e crianças, determinem algumas regras razoáveis de
segurança enquanto estes consultam a Internet. Estas normas servem simplesmente para que os mais
jovens possam estar seguros enquanto trabalham ou se divertem na Internet. Podemos acordar com
eles os sítios web a visitar, o horário de ligação mais apropriado, etc. Para que as regras sejam mais
eficazes, terão de ser fruto de diálogo. Podemos, inclusivamente, colocar estas regras num local bem
visível para funcionarem como lembrança. Supervisione o cumprimento destes limites, especialmente o
tempo que passam nestas actividades.
7. Colocar o computador num local frequentado por toda a família
Para que possamos estar perto dos menores enquanto navegam, é preferível colocar o computador
numa sala comum, na sala de estar ou numa sala frequentemente utilizada por toda a família, à vista
de todos, em vez dos seus quartos (pelo menos numa fase inicial) e trabalhe em conjunto com eles.
Isto ajudará a supervisionar a sua navegação pela Internet.
8. Ensinar as crianças e os adolescentes a navegar com segurança
Para os menores, a Internet é um lugar fantástico onde se pode falar com gente de todo o mundo e
fazer novos amigos, aprender coisas sobre algum assunto e passar momentos divertidos. Mas, para nossa segurança vale a pena:
• Tomar consciência que o computador é uma ferramenta educativa que serve para comunicar de
uma maneira positiva.
• Saber distinguir entre os conteúdos recomendáveis e não recomendáveis.
• Ter consciência de que na Internet há pessoas de todo tipo, como em qualquer outro lugar.
• Saber reagir de maneira responsável e saber resolver por si mesmo possíveis situações de risco.
Por isso é conveniente seguir os seguintes conselhos práticos:
• Não prestar dados pessoais (nome completo, endereço postal de casa ou da escola, telefone,
idade, estado civil ou informação financeira) nem os códigos de acesso à Internet,
principalmente em ambientes abertos (conversas em directo ou foros de discussão). Seria igual
a dar a chave ou o código de alarme de casa. Antes de emitir esta informação, por exemplo
através de correio electrónico, assegure-se de que se trata de alguém que ambos (pai e criança)
conhecem e tenham confiança.
• Não os deixar sozinhos enquanto usam a Internet (sobretudo no que respeita aos chat) é o
mesmo que deixá-los no meio de um parque e dizer-lhes: Vá, vão passear e façam novos
amigos!. Por isso, é conveniente que se habituem a apresentar-nos os seus ciberamigos, da
mesma maneira que nos apresentam os seus amigos na vida real.
• Pensar que as pessoas online nem sempre são o que parecem. Como a maior parte dos serviços
não nos permite ver ou mesmo ouvir as pessoas que connosco interagem é muito fácil que
alguém deturpe a sua verdadeira identidade. Assim, uma pessoa que diz ser uma rapariga de 15
anos, pode ser na realidade um homem de 45.
• Não permitir que marquem um encontro com alguém que tenham conhecido através da
Internet. Se insistem em se encontrar ou se obtêm a sua permissão, o melhor é que os
acompanhe uma pessoa adulta e o façam num local público.
• Nem tudo o que lemos na Internet é necessariamente verdadeiro. Qualquer proposta ou oferta
do tipo "demasiado boa para ser verdade!" é provavelmente falsa. É fundamental ter muito
cuidado com iniciativas que solicitem a presença deles em algum lugar, que pretendam a visita
de alguém a casa ou que nos lhes façam facultar informações pessoais.
• Não abrir endereços Internet associados a mensagens electrónicas, caso provenham de pessoas
ou organizações desconhecidas. Estas ligações podem conduzir a locais inadequados ou accionar
programas que contenham vírus informáticos. É preferível que se habituem a pedir autorização
aos pais antes de abrir ficheiros ou mensagens enviadas por desconhecidos.
• Nunca responder a mensagens insinuantes, obscenas, agressivas, que sugiram fins menos lícitos
ou que lhes causem incómodo. Incentive as crianças a comunicar-lhe se encontrarem
mensagens deste tipo.
• Quando se deparem com alguma situação desagradável que os prejudique, devem habituar-se a
comentar esse facto aos pais ou a algum amigo ou adulto. Por exemplo, alguma imagem ou foto
de páginas web ou alguma mensagem que alguém escreva nos chat. Relativamente ao correio electrónico,
• Se pretendem fazer compras online ou outro tipo de transacção a dinheiro é melhor que o façam
sempre com a autorização e a ajuda dos pais.
9. Seleccionar sítios Web seguros
Recomenda-se pesquisar sítios web seguros, dirigidos a crianças e adolescentes, da mesma maneira
que procuramos livros, programas de TV ou filmes apropriados.
É importante centrar a atenção nos aspectos positivos da Internet. Quando levamos os nosso filhos e
alunos a uma biblioteca não lhes indicamos os livros que não devem ler, mas mostramos os livros que
mais lhes podem interessar. Do mesmo modo, quando os ensinamos a navegar pela Internet, vale a
pena orientá-los par sítios web educativos que os podem incentivar a partilhar interesses com outros
menores e a navegar com segurança sob a nossa supervisão.
10. Perante um eventual problema, reagir a tempo
Se tivermos indícios de que os nossos filhos ou alunos estão em situação de risco, podemos falar com
eles e contactar a polícia ou algum outro organismo relevante.
Publicado por Segur@net
sábado, 2 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Alerta contra as drogas!
Os amigos Luiz e Vitória me enviaram. Vale muito como alerta para nossos pequenos! (clique para baixar):
quinta-feira, 4 de março de 2010
Conselhos otimistas
1) Renovar a mente e purificar o coração.2) Trabalhar. O trabalho afasta a necessidade, imunizando-nos contra o mal.
3) Acreditar no bem. Toda treva se esvai perante a luz de Deus.
4) Como combater o mal: trabalhando para o bem!
5) Meditação é ligar mente e coração com o infinito e divagar até desprender-se por completo do condicionamento mundano.
6) No início, faça o imprescindível; depois, o possível, e de repente estará fazendo o impossível.
São Francisco de Assis
quarta-feira, 3 de março de 2010
Aprende

Os gestos de amor que desprezastes hoje são sementes das flores que jamais desabrocharão nos jardins do teu futuro.
Por isso, senta-te na sala de aula da vida.
Aprende que, daquilo que vem do coração, nada se despreza!
Tu és suficiente hoje, mas amanhã é o dia do sentimento.
E se negares dar vida às tuas sementes, o que colherás então?
O que mirarás dentro do teu vaso vazio, senão a terra seca do teu egoísmo?
Corre em busca das sementes!
Quem sabe não é tarde ainda?
Quem sabe se te dedicares com mais desvelo, elas ainda lhe rendam lindas flores?
Lembra-te de que as loucuras de amor são todas compreensíveis, mas viver sem amor é, de todas as loucuras, a que jamais terá perdão.
Patrícia Assmann
Dez regras para ser feliz
1. Fale pouco, escute tudo, porém faça apenas o que seja correto.2. Aproveite cada minuto e execute o trabalho a ser feito naquele momento, justamente naquele momento.
3. Nunca se envaideça com a riqueza.
4. Anote sempre todo o dinheiro que gastar.
5. Concentre-se no estudo.
6. Faça exercícios ginásticos.
7. Abstenha-se do mal e do excesso de indulgências em todas as coisas.
8. Escreva suas impressões de cada dia num diário.
9. Um bom coração é um milhão de vezes mais precioso do que a agudeza intelectual.
10. Depois de noivar, jamais deixe a sua mente perambular na direção de outra pessoa do sexo oposto.
Mahatma Gandhi
Helen Keller
Às vezes perguntamos a nós mesmos por que se hão de colocar obstáculos terríveis em nosso caminho.Não podemos deixar de indagar por que não navegamos placidamente, em vez de sermos sempre forçados a lutar contra os ventos contrários e marés tempestuosas.
A razão, sem dúvida, é que o caráter não se molda na tranquilidade e na quietude; só através de experiências, de provações e sofrimentos, pode a alma fortalecer-se, aclarar-se a visão, inspirar-se a ambição, lograr-se o sucesso!
terça-feira, 2 de março de 2010
Adeus, Crucifixo.
Enviado por Antonio Carlos:“Não é o poder que redime, mas o amor! O Deus que tornou-se cordeiro, nos diz que o mundo é salvo pelo Crucifixo e não pelos crucificadores. O mundo é redimido pela paciência de Deus e destruído pela impaciência dos homens”. (Bento XVI)
Clique para download - apresentação em slides
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Porque com Tobit deu certo? (parte 1)

O sonho de todo pai, de toda mãe, é de felicidade plena para seus filhos.
Um bom emprego, projetos realizados, um amor para toda vida, perseverança nos Caminhos de Deus.
Nos dias atuais, entretanto, isso parece coisa impossível, tendo em vista o grande número de más escolhas que estão à disposição dos nossos pequenos.
Antigamente não era diferente.
Os pais sonhavam. Os filhos sonhavam.
Nem sempre os sonhos coincidiam.
Alguns eram felizes, outros não. Alguns eram bons, outros não.
Sofrer, todos sofriam, todos sofremos, pois o sofrimento faz parte do crescimento.
É como o romper da casca dura que envolve a semente para elevar-se em direção à luz, à liberdade.
Há muito tempo houve um homem chamado Tobit. Ele foi um pai bem sucedido, apesar de toda maldade que o cercava.
Vamos falar um pouco sobre Tobit e descobrir porque com ele deu certo?
PRIMEIRO SEGREDO DE TOBIT: Ele era exemplo
Exemplo de amor incondicional a Deus:
"Embora cativo, ele não abandonou o caminho da verdade"
"Por isso, enquanto todos eles iam adorar os bezerros de ouro que o rei...tinha feito, só ele fugia da companhia de todos e dirigia-se ao templo do Senhor Deus de Israel..."
Exemplo de amor ao próximo e de desprendimento das coisas materiais:
"Tudo aquilo, de que podia dispor, distribuía cada dia a seus irmãos de raça, que partilhavam com ele sua sorte de cativo."
" ...distribuía dos seus bens a cada um, segundo as suas posses. Alimentava os famintos, vestia os nus, e, cim uma solicitude toda particular, sepultava os defuntos e os que tinham sido mortos."
Exemplo de fidelidade ao dízimo, que é prática que abençoa a vida financeira de todo cristão:
"...oferecendo fielmente as primícias e os dízimos de todos os seus bens."
sábado, 22 de agosto de 2009
Para você

Brasil sério:
"Quando você precisa tomar uma decisão e não a toma, está tomando a decisão de não fazer nada." William James
"Tenho paciência e penso: todo o mal traz consigo algum bem." Ludwig Beethoven
Gabriel Chalita:
Só ontem 4 casos de pedofilia registrados em São Paulo. Que tristeza. Pobres crianças e adolescentes. Que vergonha, que covardia!
Cristovam Buarque:
O governo Lula ampliou rede de proteção social mas não construiu escada para ascensão social. Protege os pobres, mas não os tira da pobreza.
Os brasileiros pobres não comprariam em uma loja parecida com a escola onde deixam seus filhos.
Ganha guerra quem tem ciência e tecnologia. A base da defesa nacional esta na educação.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Mensagens para nós!

Nós, educadores, pais, amigos, cuidadores, avós, temos a grande missão de proteger nossas crianças, lutar por seus direito, intervir sempre que necessário.
É preciso acreditar que, dentro de cada criança, está Jesus. E, em Jesus, está o desejo de amar e uma grande capacidade de tornar o mundo melhor.
Não permitamos que o comodismo tire a oportunidade dos nossos pequenos, e também nossa, de ver uma sociedade mais justa e feliz.
Seguem algumas mensagens que recebi ontem e hoje.
Vamos meditar, agir, reagir!
Gabriel Chalita:
○ Estou indo para Manaus. Obrigado pelas mensagens carinhosas e pela solidariedade na defesa das boas causas. Bom dia
○ A juiza Maria Lucia Ursaia indeferiu ação de um procurador visando a retirada dos símbolos religiosos de órgãos públicos. Bela decisão. Um estado laico não é um estado anti-religioso. Tanta coisa para fazer e tem gente que se mobiliza contra crucifixo. Respeitemos a liberdade.
○ O editorial da Folha de São Paulo de hoje está na luta contra a recriação da CPMF (agora CSS). Com a CPMF a saúde não melhorou...
○ Vamos continuar nossa indignação contra a volta da CPMF. Mobilizem as pessoas. Ser bom não é ser bobo. Ser cidadão é lutar pela justiça.
○ E que amanhã nossas forças nos convidem a uma nova jornada. E que a ternura seja nossa companheira...
Padre Fábio de Melo:
○ Rezar não é dar ordens a Deus. Rezar é contar a Ele o que Ele já sabe. A oração é uma palavra que nos coloca no bonito caminho das esperas.
○"Quanto mais crescemos em Deus, maior é a necessidade que temos de purificar os nossos excessos."
Agência Brasil:
○ Vannuchi lança Campanha Nacional de Mobilização pela Certidão de Nascimento. Veja.
○ Secretários municipais querem popularizar conhecimento científico nas cidades. Veja.
○ Rio propõe políticas preventivas e continuadas para proteger crianças e adolescentes. Veja.
Brasil Sério:
○ "Quem não vive segundo o que acredita não acredita." Thomas Fuller.
○ Gabriel Chalita é homem publico de fé, coragem e valores que inspiram a todos nós. Conheçam o seu trabalho e concluam por si mesmos.
○ "A força fez os primeiros escravos, a sua covardia perpetua-os." Jean Jacques Rousseau.
Rádio Beatitudes:
○ Eterno Pai, eu Vos ofereço as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, para curar as chagas de nossas almas e das almas do mundo inteiro.
Ministério da Cultura:
○ Íntegra, em vídeo, da sabatina da Folha com o ministro da Cultura. Veja.
Almanaque educação:
○ Suas pesquisas na internet resultam em árvores plantadas pelo Eco Planet. Acessem!
Tony Chalita:
○ Hoje percebi o tamanho do amor e do poder de Deus. Uma criança caiu nos trilhos do metrô e a mãe pulou para proteger o filho... Milagrosamente, Deus se incumbiu de proteger seus filhos. Saíram ilesos, mesmo com o vagão sobre eles. Rezei para que Deus interceda sempre!
Doutores da Alegria:
○ Pra marcar na agenda: Roda Artística dos Doutores da Alegria no teatro Jaraguá, centro de SP, no dia 30/8 às 11h!
Secretaria da cultura:
○ Edital para Pontos de Cultura no Estado de São Paulo tem prazo prorrogado até 31/8. Veja.
○ Bicicletários do Metrô já tiveram mais de 50 mil acessos em 15 estações. Saiba como usar o serviço.
0800 Rede jovem:
○ São Paulo: Calçadão Cultural é palco do 20º Festival Internacional de curtas. Veja.
Catraca Livre:
○ A produção cultural da zona leste. A produção cultural da zona leste. Veja.
Instituto Votorantim:
○ Programa leva educação profissional para 171 municípios de todas as regiões. Veja.
domingo, 9 de agosto de 2009
Maria, a eterna educadora
A boa educação começa quando o educador vivencia aquilo que transmite, pois tudo que existe e acontece somente se transforma a partir de uma VERDADE.Contradição e educação não combinam. Precisamos mais verdade!
Maria, a eterna educadora, não o é por acaso.
Antes de ensinar, ela acreditou.
Antes de ensinar, ela viveu.
Assim, pode falar com conhecimento de causa.
E mais.
Sendo fiel àquilo que ensina, ela tem força para pedir, interceder, transformar.
Ela tem a cabeça erguida.
Para nós, Maria é o grande exemplo de educador, pois absorveu para si tudo que acreditava, tratou de aplicar isso à sua vida, às suas atitudes, aos seus relacionamentos, às suas iniciativas.
A partir daí, passou a educar os filhos de Deus não com palavras vazias, mas com orientações tão consistentes que quase têm vida própria.
Tudo que ela ensina se espalha, infiltra-se nos lares e nos pensamentos.
E, mesmo para aqueles que relutam em acreditar, sua informação passa por baixo das portas e pelas frestas das janelas, e não há como resistir, ainda que não se admita que o exemplo tenha vindo dela.
Para ser educador, é preciso muita disposição para ser como Maria: absorver, viver e ensinar. Sempre nesta ordem.
Somente uma atitude assim verdadeira nos dá a força necessária para convencer, e também para propor mudanças.
Nossa sociedade necessita de mais educadores semelhantes a Maria.
A começar por nós mesmos!
Patrícia Assmann
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Psicologia e fé!
Amigos educadores, conheçam este site!É precioso e oportuno observar que é possível (ao contrário do que andam dizendo por aí) a psicologia e a fé andarem juntas e, melhor que isso, curarem juntas!
sábado, 1 de agosto de 2009
Confiança em Deus
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Mãe destaca valores deixados por Marcela, falecida há 1 ano
Luciane Marins
"Ela me ensinou muita coisa". É assim que a dona de casa Cacilda Ferreira, mãe de Marcela de Jesus Galante Ferreira, menina que se tornou referência na luta contra a descriminalização do aborto, lembra um ano de falecimento da filha. Ela diz que, mesmo vivendo apenas um ano e oito meses, Marcela, que foi diagnosticada com anencefalia, deixou valores permanentes, como o amor à vida e ao próximo, o perdão e a confiança.
Na cidade natal de Marcela, Patrocínio Paulista, norte do estado de São Paulo, uma Missa vai lembrar um ano da morte da garota. A celebração na Igreja Matriz da cidade está marcada para as 19h deste sábado, 1º de agosto.
O Bispo emérito da Diocese de Franca, dom Diógenes Silva Mathes, que vai presidir a missa, afirma que essa é uma ocasião para "despertar no coração dos fiéis essa vontade de serem portadores e defensores da vida". Os pais e familiares de Marcela também vão participar da celebração, que conta com o apoio de diversas pastorais e movimentos pró-vida.
Dom Diógenes recorda que a mãe de Marcela foi pressionada a abortar, porque já sabia que a bebê poderia morrer na gestação ou pouco tempo depois do nascimento. Mesmo assim, o aborto nunca fez parte dos planos de dona Cacilda. "Em nenhum momento pensei em desistir da gravidez. É uma vida como todas as outras, não tem diferença. Deus dá a vida e só Ele tem direito de tirar.
A mãe tem que defender a vida da criança," conta a mãe.
Ao defender a posição católica, em favor da vida, Dom Diógenes explica que Igreja está sempre presente na história do cristão. "A Igreja acompanha o cristão do berço ao túmulo. Se o cristão é cristão de verdade, ele vive a mente, o coração, a vontade e o objetivo da sua Igreja e, por isso, vive esse mistério de dor, que é a possibilidade de uma criança nascer sem cérebro".
Em 6 de julho deste ano, chegou ao Supremo Tribunal Federal um parecer da Procuradoria-Geral da República a favor da constitucionalidade da interrupção voluntária da gravidez no caso de anencefalia fetal. A mãe de Marcela surge como um exemplo de que sempre vale a pena levar a gravidez até o fim. "Fico até triste em pensar nas mulheres que pensam em abortar. Elas têm que entregar nas mãos de Deus. Ele nos capacita, como Ele me ajudou cuidar da Marcela, ajudará a elas também", diz.
A surpreendente sobrevivência de Marcela
Luciano Batista
Canção Nova Notícias, SP
Há pouco mais de um ano, o Brasil conheceu um caso de amor entre mãe e filha diferente de tantos outros casos. Mesmo sabendo que a filha nasceria com anencefalia, a mãe levou a gestação até o fim e hoje a bebê está com saúde e mostrando que a vida é o dom mais preciso que Deus dá a cada um de nós. Essa é a história de Dona Cacilda e da pequena Marcela.
Por mais rotineiro que seja o dia a dia na casa delas, cada segundo que passam juntas é uma benção de Deus. Uma benção que já completou um ano, um mês e 19 dias. "O mais importante é a fé e sempre entregando nas mãos de Deus e que sempre seja feita a vontade d'Ele", diz Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela.
Foi um ano em que as duas aprenderam muito, principalmente, o valor da vida. Desde o momento em que Dona Cacilda soube que sua filha nasceria com problemas, lutou contra o que muitos queriam: o aborto! "Eu vejo isso como não sendo um erro da medicina. Eu acho que é uma intervenção de Deus. Eu vejo como um dedo de Deus! É como se fosse um milagre", diz confiante o Bispo diocesano de Franca, Dom Frei Caetano Ferrari.
Assista a reportagem na íntegra
Deus sempre esteve a frente de tudo na casa da família Ferreira. No aniversário de um ano da pequena Marcela, o maior presente que ela ganhou, foi a presença do Santissímo Sacramento em sua casa. "Foi muita alegria, foi um encontro da Marcela com o Santíssimo. Foi muito bonito e muito emocionante", lembra Dona Cacilda.
A pediatra, Márcia Beane Barcellos, que cuida de Marcela desde o dia que nasceu confirma que a garotinha já superou todas as expectativas e agora, depois de mais de um ano, diante da doença, ela mesma diz que o caso é diferente "teoricamente uma pessoa que possui apenas o tronco cerebral não apresentaria este tipo de reação. Ela não pode ser comparada com uma criança com morte cerebral, que não tem sentimentos. A Marcela não vive em estado vegetativo. Como ela processa isso, é um mistério!".
A medicina tenta explicar o caso de Marcela. Segundo o neurocirurgião infantil, Sérgio Cavalheiro da Universidade Federal de São Paulo, a menina possui o tronco cerebral que se torna responsável por todos os sentimentos como o tato, o olfato e os movimentos dos membros. Por outro lado, ela não desenvolveria o lado intelectual devido a falta do córtex cerebral. "Ela tem as estruturas medianas que faz com que ela respire, com que ela engula, mas falta o restante da massa encefálica", esclarece o médico.
São situações previstas em livros de medicina mas que não esclarecem em hipótese nenhuma, o fato dela estar viva até hoje.
O que explicaria seria o fato de que houve uma entrega nas mãos de Deus e o sim para a geração da vida da Marcela por Dona Cacilda a Deus, dizendo não ao aborto.
Um sim que, segundo o jurista Ives Gandra Martins poderia ter sido dado por tantas outras mães que tiraram seus filhos de seus ventres. "A má formação do feto não justifica nunca a eliminação porquê se a má formação justificasse a eliminação como ser humano, eu poderia também justificar a eliminação de todos aqueles que se tornaram inconvinientes por força de um desastre, de uma guerra ou estiveram doentes por muito tempo com uma redução de sua capacidade mental. Nós liquidaríamos todos que não fossem uma raça pura", contesta Ives Gandra.
A anencefalia á uma doença grave, assim como um estado de coma. A diferença é que um é um feto e o outro é adulto mas ambos precisam ser cuidados, e com muito carinho. "Qualquer que seja o diagnóstico, elas devem ser acolhidas como uma pessoa humana que tem uma doença grave e precisa de carinho e atenção", explica o assessor de bioética da CNBB, Dalton Luiz de Paula Ramos.
Amor, dedicação, carinho, respeito pelo ser humano, valorização do dom mais precioso que Deus deu a cada um de nós que é a vida, foram sentimentos que moveram e movem, tanto Dona Cacilda como a pequena Marcela que encontraram em Deus a força para superar todas as dificuldades e se tornarem exemplos de que a vida começa mesmo na concepção e que deve ser
levada até o fim!
"Ela me ensinou muita coisa". É assim que a dona de casa Cacilda Ferreira, mãe de Marcela de Jesus Galante Ferreira, menina que se tornou referência na luta contra a descriminalização do aborto, lembra um ano de falecimento da filha. Ela diz que, mesmo vivendo apenas um ano e oito meses, Marcela, que foi diagnosticada com anencefalia, deixou valores permanentes, como o amor à vida e ao próximo, o perdão e a confiança.
Na cidade natal de Marcela, Patrocínio Paulista, norte do estado de São Paulo, uma Missa vai lembrar um ano da morte da garota. A celebração na Igreja Matriz da cidade está marcada para as 19h deste sábado, 1º de agosto.
O Bispo emérito da Diocese de Franca, dom Diógenes Silva Mathes, que vai presidir a missa, afirma que essa é uma ocasião para "despertar no coração dos fiéis essa vontade de serem portadores e defensores da vida". Os pais e familiares de Marcela também vão participar da celebração, que conta com o apoio de diversas pastorais e movimentos pró-vida.
Dom Diógenes recorda que a mãe de Marcela foi pressionada a abortar, porque já sabia que a bebê poderia morrer na gestação ou pouco tempo depois do nascimento. Mesmo assim, o aborto nunca fez parte dos planos de dona Cacilda. "Em nenhum momento pensei em desistir da gravidez. É uma vida como todas as outras, não tem diferença. Deus dá a vida e só Ele tem direito de tirar.
A mãe tem que defender a vida da criança," conta a mãe.
Ao defender a posição católica, em favor da vida, Dom Diógenes explica que Igreja está sempre presente na história do cristão. "A Igreja acompanha o cristão do berço ao túmulo. Se o cristão é cristão de verdade, ele vive a mente, o coração, a vontade e o objetivo da sua Igreja e, por isso, vive esse mistério de dor, que é a possibilidade de uma criança nascer sem cérebro".
Em 6 de julho deste ano, chegou ao Supremo Tribunal Federal um parecer da Procuradoria-Geral da República a favor da constitucionalidade da interrupção voluntária da gravidez no caso de anencefalia fetal. A mãe de Marcela surge como um exemplo de que sempre vale a pena levar a gravidez até o fim. "Fico até triste em pensar nas mulheres que pensam em abortar. Elas têm que entregar nas mãos de Deus. Ele nos capacita, como Ele me ajudou cuidar da Marcela, ajudará a elas também", diz.
A surpreendente sobrevivência de Marcela
Luciano Batista
Canção Nova Notícias, SP
Há pouco mais de um ano, o Brasil conheceu um caso de amor entre mãe e filha diferente de tantos outros casos. Mesmo sabendo que a filha nasceria com anencefalia, a mãe levou a gestação até o fim e hoje a bebê está com saúde e mostrando que a vida é o dom mais preciso que Deus dá a cada um de nós. Essa é a história de Dona Cacilda e da pequena Marcela.
Por mais rotineiro que seja o dia a dia na casa delas, cada segundo que passam juntas é uma benção de Deus. Uma benção que já completou um ano, um mês e 19 dias. "O mais importante é a fé e sempre entregando nas mãos de Deus e que sempre seja feita a vontade d'Ele", diz Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela.
Foi um ano em que as duas aprenderam muito, principalmente, o valor da vida. Desde o momento em que Dona Cacilda soube que sua filha nasceria com problemas, lutou contra o que muitos queriam: o aborto! "Eu vejo isso como não sendo um erro da medicina. Eu acho que é uma intervenção de Deus. Eu vejo como um dedo de Deus! É como se fosse um milagre", diz confiante o Bispo diocesano de Franca, Dom Frei Caetano Ferrari.
Assista a reportagem na íntegra
Deus sempre esteve a frente de tudo na casa da família Ferreira. No aniversário de um ano da pequena Marcela, o maior presente que ela ganhou, foi a presença do Santissímo Sacramento em sua casa. "Foi muita alegria, foi um encontro da Marcela com o Santíssimo. Foi muito bonito e muito emocionante", lembra Dona Cacilda.
A pediatra, Márcia Beane Barcellos, que cuida de Marcela desde o dia que nasceu confirma que a garotinha já superou todas as expectativas e agora, depois de mais de um ano, diante da doença, ela mesma diz que o caso é diferente "teoricamente uma pessoa que possui apenas o tronco cerebral não apresentaria este tipo de reação. Ela não pode ser comparada com uma criança com morte cerebral, que não tem sentimentos. A Marcela não vive em estado vegetativo. Como ela processa isso, é um mistério!".
A medicina tenta explicar o caso de Marcela. Segundo o neurocirurgião infantil, Sérgio Cavalheiro da Universidade Federal de São Paulo, a menina possui o tronco cerebral que se torna responsável por todos os sentimentos como o tato, o olfato e os movimentos dos membros. Por outro lado, ela não desenvolveria o lado intelectual devido a falta do córtex cerebral. "Ela tem as estruturas medianas que faz com que ela respire, com que ela engula, mas falta o restante da massa encefálica", esclarece o médico.
São situações previstas em livros de medicina mas que não esclarecem em hipótese nenhuma, o fato dela estar viva até hoje.
O que explicaria seria o fato de que houve uma entrega nas mãos de Deus e o sim para a geração da vida da Marcela por Dona Cacilda a Deus, dizendo não ao aborto.
Um sim que, segundo o jurista Ives Gandra Martins poderia ter sido dado por tantas outras mães que tiraram seus filhos de seus ventres. "A má formação do feto não justifica nunca a eliminação porquê se a má formação justificasse a eliminação como ser humano, eu poderia também justificar a eliminação de todos aqueles que se tornaram inconvinientes por força de um desastre, de uma guerra ou estiveram doentes por muito tempo com uma redução de sua capacidade mental. Nós liquidaríamos todos que não fossem uma raça pura", contesta Ives Gandra.
A anencefalia á uma doença grave, assim como um estado de coma. A diferença é que um é um feto e o outro é adulto mas ambos precisam ser cuidados, e com muito carinho. "Qualquer que seja o diagnóstico, elas devem ser acolhidas como uma pessoa humana que tem uma doença grave e precisa de carinho e atenção", explica o assessor de bioética da CNBB, Dalton Luiz de Paula Ramos.
Amor, dedicação, carinho, respeito pelo ser humano, valorização do dom mais precioso que Deus deu a cada um de nós que é a vida, foram sentimentos que moveram e movem, tanto Dona Cacilda como a pequena Marcela que encontraram em Deus a força para superar todas as dificuldades e se tornarem exemplos de que a vida começa mesmo na concepção e que deve ser
levada até o fim!
terça-feira, 21 de julho de 2009
Professor Gabriel Chalita fala sobre bullying na Rádio Jovem Pan
Clique para direcionar ao blog do Professor Gabriel Chalita e ouvir a entrevista.Muitíssimo interessante e esclarecedor para educadores/pais.
domingo, 12 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Você tem coragem para intervir?
Depois da família, quem tem maior contato com nossas crianças são os educadores.Você é educador(a)?
Pare um momento e reflita.
Você tem omitido algo?
Tem fechado seus olhos para algum pedido de socorro implícito em atitudes, gestos, aparências?
Nós, os adultos, temos consciência de que quando alguém invade nosso espaço, temos o direito de gritar, protestar, revidar, lavrar B.O.
No mundo das crianças essas alternativas simplesmente não existem.
Elas dependem dos adultos, como pontes, para chegarem à luz.
E quantas das nossas crianças, por negligência dos adultos, têm vivido nas trevas?
Diz o Estatuto da Criança e do Adolescente que TODOS são responsáveis pelas crianças, por suas vidas, segurança, saúde, respeito, dignidade, paz.
E se temos visto algo de estranho e nos calamos, isso nos será cobrado de alguma maneira.
Vamos abrir os olhos, o coração e a boca.
Vamos tornar-nos pessoas melhores para oferecer aos pequeninos a oportunidade de uma vida digna.
Se, como educador, você vê algo que levanta suspeitas para qualquer tipo de abuso ou negligência, busque ajuda, converse, DENUNCIE.
Você pode salvar uma vida.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Para refletir...
Esta manhã estava deitada ao lado do meu filho de dez anos, antes que ele acordasse.
Pensava que ele tem vivido uma vidinha muito sedentária.
Não podemos mais deixar nossas crianças brincarem na rua, pois há tantos perigos e ameaças.
Com isso, eles deixam de lado a bola, a bicicleta, as brincadeiras de rua próprias da infância.
Acabam saindo somente conosco e vão contentando-se com entretenimentos entre quatro paredes, como a televisão e a internet.
Olhava-o e pensava no quanto ele gostaria de fazer aulas de futebol.
Meu filho gosta muito de futebol de campo, tem vontade de jogar e disse que um dia será "melhor que o Pelé".
Acontece que não tenho condições financeiras para pagar uma aula de futebol particular, e a escolinha gratuita fica muito, muito longe de nossa casa.
Pois bem...
Levantei-me da cama e sentei-me ao computador.
Abri uma mensagem que foi-me enviada em 2 de janeiro de 2.009, pela amiga Vanessinha Zannini.
Eu não a tinha visto ainda, porque recebo muitos e-mails por dia e não é sempre que posso abri-los com calma para assistir aos anexos.
Mas sei que o Senhor havia "separado" esta mensagem para o dia de hoje...
Compartilho-a com todos.
Especialmente, com os pais e mães que "não têm tempo" para seus filhos.
Filhos esses muitas vezes saudáveis, que esperam de nós apenas TEMPO para conversar, brincar, amar.
Que este exemplo transforme-nos, tornando-nos menos egoístas e preguiçosos, mais amorosos e agradecidos por tudo que Deus nos deu.
Pensava que ele tem vivido uma vidinha muito sedentária.
Não podemos mais deixar nossas crianças brincarem na rua, pois há tantos perigos e ameaças.
Com isso, eles deixam de lado a bola, a bicicleta, as brincadeiras de rua próprias da infância.
Acabam saindo somente conosco e vão contentando-se com entretenimentos entre quatro paredes, como a televisão e a internet.
Olhava-o e pensava no quanto ele gostaria de fazer aulas de futebol.
Meu filho gosta muito de futebol de campo, tem vontade de jogar e disse que um dia será "melhor que o Pelé".
Acontece que não tenho condições financeiras para pagar uma aula de futebol particular, e a escolinha gratuita fica muito, muito longe de nossa casa.
Pois bem...
Levantei-me da cama e sentei-me ao computador.
Abri uma mensagem que foi-me enviada em 2 de janeiro de 2.009, pela amiga Vanessinha Zannini.
Eu não a tinha visto ainda, porque recebo muitos e-mails por dia e não é sempre que posso abri-los com calma para assistir aos anexos.
Mas sei que o Senhor havia "separado" esta mensagem para o dia de hoje...
Compartilho-a com todos.
Especialmente, com os pais e mães que "não têm tempo" para seus filhos.
Filhos esses muitas vezes saudáveis, que esperam de nós apenas TEMPO para conversar, brincar, amar.
Que este exemplo transforme-nos, tornando-nos menos egoístas e preguiçosos, mais amorosos e agradecidos por tudo que Deus nos deu.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
Os Desafios da Educação
1. Os problemas fundamentais que se apresentam a nós, católicos, em relação ao tema da educação de qualquer nível que se trate, tanto escolar como universitário dizem sempre respeito ao que se há de fazer para que a educação abranja a pessoa em todas as suas dimensões, integralmente, e também ao modo como se devem transmitir os valores perenes, ou seja, como enriquecer com estes mesmos valores o âmbito concreto de educação, em que cada um de nós vive. Em síntese, a nível eclesial a questão não pode deixar de ser enfrentada na perspectiva educativo-pastoral, se não correríamos o risco de atraiçoar Cristo e a missão que Ele nos confiou. É nesta perspectiva pastoral, que tem em vista aproximar a pessoa humana na sua integridade à fonte da verdade e do bem, que desejo apresentar esta minha breve reflexão.2. A hodierna festa do Apóstolo S. Tomé constitui o pano de fundo desta reflexão. O Evangelista João apresenta-o em diversas situações, em que são evidentes um grande realismo realista e a honestidade de S. Tomé. Quando Jesus decide ir à Judeia para visitar Lázaro já morto, os discípulos adveriram-no: "Rabi, há pouco os judeus queriam lapidar-te, e Tu queres lá voltar?". Diante da decisão de Jesus, Tomé, realista, sem se iludir a propósito da sorte que esperava Jesus em Jerusalém, disse aos seus companheiros de discipulado: "Vamos também nós morrer com Ele!" (cf. Jo 11, 1-16).
No Cenáculo, quando Jesus falou da sua partida ("E do lugar aonde eu vou, vós conheceis o caminho"), Tomé confessou abertamente a sua própria ignorância ou dúvida: "Senhor, não sabemos aonde vais e como podemos conhecer o caminho", suscitando assim a célebre resposta: "Eu sou o Caminho..." (Jo 14, 4-6). Também no Evangelho do dia de hoje (cf. Jo 20, 24-29), Tomé, realista como era, não se contenta com o testemunho de outros discípulos, acerca de um fato incrível, e diz: "Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos e não puser o dedo no lugar das chagas, e não colocar a minha mão no seu lado, não acreditarei". Todavia, quando Jesus lhe deu a prova, ele expressou a sua fé incondicionada: "Meu Senhor e meu Deus!".
3. Nós vivemos numa situação diferente em relação à de Tomé. Somos membros da Igreja, já edificada como se declara na primeira Leitura (cf. Ef 2, 19-22) "sobre o fundamento dos apóstolos [...] e tendo como pedra angular o próprio Jesus Cristo", morto e ressuscitado. No Magistério vivo da Igreja, que age "em nome de Jesus Cristo", e sob a ação do Espírito Santo, a Providência deixou-nos o garante da correta interpretação da palavra de Deus, escrita e transmitida (cf. Concílio Vaticano II, Dei Verbum, 10). Por conseguinte, vivemos numa situação que, sob um determinado ponto de vista, é melhor em relação à que foi vivida por S. Tomé.
Contudo, também no nosso trabalho no campo da educação é necessário sermos realistas, para não ficarmos nas nuvens, para não nos iludirmos e sobretudo para não nos esforçarmos em vão. É preciso que haja realismo, evidentemente iluminado e sustentado pela fé.
4. Nos dias de hoje, nos diversos campos da pastoral, realizam-se muitos congressos, simpósios e encontros que, em seguida, têm pouca relevância na vida de todos os dias. Aliás, pode parecer estranho, mas também os congressos podem distrair-nos do realismo pastoral, podem adormecer a nossa vigilante operosidade quotidiana, ou seja, a que realmente tem sentido. Uma pessoa disse-me: "Multiplicam-se os congressos, que absorvem todas as nossas forças, e assim debilita-se o nosso compromisso diário. Fazemos muita confusão, mas talvez inutilmente". Com efeito, corre-se por vezes o risco sobretudo de festejar a pastoral nos congressos, e não tanto de a realizar concretamente; o risco de se apegar ao bolo da festa, e não tanto ao pão quotidiano da laboriosidade pastoral.
Festejar é mais vistoso, causa mais admiração e talvez faça ganhar mais pontos na opinião pública ou diante dos superiores, mas a eficácia do trabalho pastoral depende do compromisso de cada dia, depende do pão quotidiano simples, menos vistoso, humilde, quase escondido, mas absolutamente necessário para uma boa saúde da pastoral efetiva, para uma pastoral portadora de frutos.
5. Evidentemente, não estou a falar contra os vários congressos. Com efeito, é preciso inclusivamente festejar, há necessidade também do bolo da festa, são precisos momentos de reflexão, é necessário aprofundar determinadas questões, em vista de se obter eficácia no afã quotidiano, mas devemos estar conscientes de que tudo isto só é útil se, e enquanto se alimenta, se e enquanto constituir um sustento, uma ajuda, um enriquecimento concreto do trabalho a levar a cabo no dia-a-dia sem confusão, a realizar em primeiro lugar no próprio coração e depois em relação aos outros. Pelo contrário, toda a atividade dos congressos é inútil quando, em vez de constituir um apoio para a pastoral quotidiana direta, quase se substitui à mesma.
Obviamente, sempre se proclama que um congresso ou simpósio tem em vista servir e alimentar a pastoral de cada dia. Mas às vezes, porventura, não nos iludimos a nós mesmos? Por vezes perguntamos: verdadeiramente não sabemos o que fazer? Ou simplesmente não o fazemos?
6. Diante deste problema, a celebração da Eucaristia torna-se de extrema importância para cada congresso que quiser ser genuinamente cristão, que desejar dar frutos na laboriosidade de cada dia.
Efetivamente, a Eucaristia como no-lo recorda o Catecismo da Igreja Católica (cf. n. 1324), citando o Concílio Vaticano II é "fonte e ápice de toda a vida cristã". Por conseguinte, "todos os ministérios eclesiásticos e todas as obras de apostolado (portanto, também as que se referem à educação) estão estreitamente vinculados à Santíssima Eucaristia e para ela se encontram ordenados". Ela é o coração da vida da Igreja (cf. ibid., n. 1407). Consequentemente, não pode existir uma educação cristã frutuosa, desvinculada da Eucaristia.
O Papa João Paulo II justamente observou: "Onde quer que prestemos a nossa obra [...] não importa qual é a nossa ocupação, a Eucaristia constitui um desafio para a nossa vida quotidiana" (Homilia no "Phoenix Park" de Dublim [Irlanda], 29 de Setembro de 1979, n. 5 b, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, II/2 [1979], pág. 417).
7. Gostaria de frisar de maneira específica três elementos ou aspectos da Eucaristia, que nos obrigam a não nos iludirmos, a privilegiarmos aquilo que é fundamental e a sermos realistas na nossa atividade pastoral no campo educativo.
A Eucaristia impele-nos, em primeiro lugar, a um exame de consciência. Devemos fazê-lo no início da Santa Missa, para nos aproximarmos fecundamente da participação no Sacrifício de Cristo, distanciando-nos do mal, do pecado e das omissões, e tomando consciência do nosso compromisso cristão, inclusivamente no campo da educação. O mesmo volta, necessariamente, também no nosso diálogo com o Senhor, depois de O termos recebido na sagrada Comunhão. Para celebrarmos retamente a Eucaristia, não podemos omitir o exame de consciência. Que ele não constitua um momento de distração. De fato, trata-se de um importante instante de verdade e de realismo. Que este exame nos ajude a estar com os pés na terra, a empenhar-nos na nossa existência de cada dia, mesmo que ela não seja vistosa.
O segundo elemento importante é que, na Eucaristia, somos convidados a unir ao sacrifício de Cristo também o nosso próprio sacrifício, a oferecer-nos a nós mesmos (cf. Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 13 b). Este nosso sacrifício será tanto mais relevante quanto mais for "pão quotidiano" sustentado pela humildade, quanto mais for real, quando mais nos custar, quanto mais for constante, quanto mais constituir a expressão da nossa verdadeira solicitude pela pastoral efetiva, realizada mais do que festejada ou anunciada.
O terceiro aspecto é que a Eucaristia nos incute a força para uma pastoral concreta e eficaz. Com efeito, ela é o alimento do nosso compromisso cristão. Foi o próprio Jesus quem nos assegurou: "A minha Carne é verdadeiro alimento e o meu Sangue é verdadeira bebida" (Jo 6, 55). E Jesus apresenta-se na Eucaristia sob a espécie do pão, que é o alimento quotidiano, e não na forma de um bolo de festa. Ele alimenta-nos para que também nós possamos tornar-nos pão na nossa atividade educativa, ou seja, a fim de que nos transformemos num alimento simples e humilde, nutrição de todos os dias, mas substancial e absolutamente necessário para a vida, para a saúde e para a laboriosidade quotidiana.
8. Formulo-vos votos e rezo a fim de que este Congresso, juntamente com a participação constante e diligente na Eucaristia, vivida com intensidade, contribua para fazer com que o vosso compromisso quotidiano no campo da educação se torne cada vez mais sólido e eficaz.
Jesus, que mediante o sacrifício da Cruz te tornaste para nós o pão sempre disponível, ajuda-nos a tornar-nos através do nosso humilde sacrifício pessoal um alimento autêntico e consistente na atividade educativa de cada dia.
CARDEAL ZENON GROCHOLEWSKI
O que os pais não fazem...
Cada vez mais, torna-se difícil educar.E, na grande maioria das vezes, porque os pais descartaram a educação de suas incumbências.
Pior: além de não assumirem seu papel, também obstruem a atuação dos professores, enfrentando-os, diminuindo-os, para favorecer o desmando de seus filhos.
As conseqüências dessa falta de educação no lar, temos assistido diariamente: jovens, adolescentes e crianças matando e sendo mortos, assaltando, mergulhando nas drogas, destruindo famílias, imergindo no sexo sem amor e sem responsabilidade, entre tantas outras coisas.
O educador cristão, a despeito de todas as dificuldades, deve assumir seu papel com garra.
Onde estão as maiores dificuldades, estão também os jovens e crianças mais necessitados.
Onde parece que não há mais jeito, está a brecha para a ação do Poder de Deus e a atuação de Maria Santíssima.
Jamais desistamos de semear o bem, ouvir com atenção e carinho, aconselhar com Amor.
Os gestos de rebeldia, não poucas vezes, são um pedido de socorro.
É preciso que a sociedade, como um todo, assuma a responsabilidade sobre aqueles que foram privados de orientação familiar, sob pena de, num futuro bem próximo, sofrermos nós mesmos as consequências do desinteresse por uma juventude que cresce sem amor, sem valores, sem orientação.
Patrícia Assmann
Orientações Educativas sobre o Amor Humano

Linhas gerais para uma Educação Sexual
INTRODUÇÃO
1. O desenvolvimento harmônico da personalidade humana revela progressivamente no homem a imagem de filho de Deus. « A verdadeira educação pretende a formação da pessoa humana em ordem ao seu fim último ». Ao falar sobre a educação cristã, o Concílio Vaticano II sublinhou a necessidade de oferecer « uma positiva e prudente educação sexual » às crianças e aos jovens.
A Sagrada Congregação para a Educação Católica, dentro dos limites da sua competência, assim como já fizeram algumas Conferências Episcopais para o seu território, considera um dever dar a sua contribuição para a aplicação da Declaração Conciliar.
2. Este documento, redigido com a ajuda de peritos em problemas educativos e submetido a uma ampla consulta, tem um objetivo preciso: examinar o aspecto pedagógico da educação sexual e indicar algumas orientações para a educação integral do cristão, segundo a vocação de cada um.
Apesar de não fazer a citação explícita todas as vezes, pressupõe sempre os princípios doutrinais e as normas morais da matéria em questão, de acordo com o Magistério da Igreja.
3. A Sagrada Congregação para a Educação Católica está ciente da variedade cultural e social das situações existentes nos diferentes Países. Estas orientações, portanto, deverão ser adaptadas pelos respectivos Episcopados às necessidades Pastorais próprias de cada Igreja local.
SIGNIFICADO DA SEXUALIDADE
4. A sexualidade é uma componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano. Portanto ela é parte integrante do desenvolvimento da personalidade e do seu processo educativo : « Do sexo, de fato, derivam na pessoa humana as características que, no plano biológico e espiritual, a tornam homem ou mulher, condicionando assim e normalmente o caminho do seu desenvolvimento em ordem à maturidade e à sua inserção na sociedade ».
5. A sexualidade caracteriza o homem e a mulher não somente no plano físico, como também no psicológico e espiritual marcando toda a sua expressão. Esta diversidade que tem como fim a complementaridade dos dois sexos, permite responder plenamente ao desígnio de Deus conforme a vocação à qual cada um é chamado.
A genitalidade orientada para a procriação é a expressão máxima, no plano físico, da comunhão de amor dos cônjuges. Fora deste contexto de dom recíproco - realidade que o cristão vive sustentado e enriquecido de maneira particular pela graça de Deus - ela perde o seu sentido, dá lugar ao egoísmo e é uma desordem moral.
6. A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor que é o único a torná-la verdadeiramente humana. Preparada pelo desenvolvimento biológico e psíquico, cresce harmonicamente e realiza-se em sentido pleno somente com a conquista da maturidade afetiva, que se manifesta no amor desinteressado e no total dom de si.
SITUAÇÃO ATUAL
7. Podem-se observar atualmente, mesmo entre os cristãos, notáveis divergências quanto à educação sexual. No clima atual de desorientação moral constituem um perigo, seja o conformismo nocivo, sejam os preconceitos que tendem a falsificar a íntima natureza do ser humano, que saiu íntegra das mãos do Criador.
8. Para reagir a esta situação, é desejada por muitos uma oportuna educação sexual. Se, porém, a convicção da sua necessidade no âmbito teórico é muito difundida, na prática permanecem incertezas e divergências notáveis seja quanto às pessoas e instituições que deveriam assumir a responsabilidade educacional como também em relação ao conteúdo e à metodologia.
9. Os educadores e os próprios pais frequentemente reconhecem não terem a preparação suficiente para realizar uma adequada educação sexual. A escola, nem sempre está à altura de oferecer uma visão integral do assunto. Uma educação sexual completa não pode ficar só na informação científica.
10. As dificuldades para uma educação sexual são maiores nos países onde a urgência do problema ainda não se fez sentir e se pensa que ele se resolve por si sem necessidade de uma educação específica.
11. Em geral é preciso reconhecer que se trata de uma tarefa difícil pela complexidade dos diferentes elementos (fisiológicos, psicológicos, pedagógicos, sócio-culturais, jurídicos, morais e religiosos) que intervêm na ação educativa...
12. Alguns organismos católicos em diferentes lugares, - com a aprovação e o estímulo do Episcopado local - começaram a desenvolver uma positiva atividade de educação sexual; esta tem por finalidade não somente ajudar as crianças e os adolescentes no caminho rumo à maturidade psicológica e espiritual, como também, e sobretudo, precavê-los contra os perigos da ignorância e degradação do ambiente.
13.É também louvável o esforço de todos aqueles que, com seriedade científica, se dedicaram a estudar o problema, a partir das ciências humanas e integrando os resultados de tais pesquisas numa proposta de solução conforme as exigências da dignidade humana como emerge no Evangelho.
DECLARAÇÕES DO MAGISTÉRIO
14. As declarações do Magistério sobre a educação sexual manifestam um progresso que por um lado satisfaz as exigências de uma sociedade nova e por outro se mantém fiel à tradição.
O Concílio Vaticano II na « Declaração sobre a Educação Cristã », apresenta a perspectiva em que a educação sexual deve ser colocada depois de ter confirmado, de fato, o direito da juventude a receber uma educação adequada às exigências pessoais.
O Concílio precisa: « As crianças e os jovens, tendo em conta os progressos da psicologia, pedagogia e didática, sejam ajudados em ordem ao desenvolvimento harmônico das qualidades físicas, morais e intelectuais, na aquisição gradual dum sentido mais perfeito da responsabilidade na própria vida, retamente cultivada com esforço contínuo e levada por diante na verdadeira liberdade, vencendo os obstáculos com magnanimidade e constância. Sejam formados numa educação sexual positiva e prudente, à medida que vão crescendo ».
15. A Constituição Pastoral « Gaudium et spes », quando fala da dignidade do matrimônio e da família, define esta como o lugar preferencial para a educação dos jovens para a castidade. Como, porém, esta é um dos aspectos da educação integral, exige a cooperação dos educadores com os pais no cumprimento da sua missão. Esta educação, portanto, deve ser oferecida às crianças e aos jovens no âmbito da família de maneira gradual e deve ser orientada positivamente para a formação global da pessoa.
16. Na Exortação Apostólica sobre a missão da família cristã no mundo de hoje, João Paulo II, atribui um lugar importante à educação sexual, como um valor da pessoa. « A educação para o amor como dom de si, diz o Santo Padre, constitui também a premissa indispensável para os pais que são chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. Perante uma cultura que 'banaliza' em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de maneira redutiva e empobrecida, relacionando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico, o serviço educativo dos pais deve visar firmemente uma cultura sexual que seja verdadeiramente e plenamente pessoal: A sexualidade, de fato, é uma riqueza de toda a pessoa, - corpo, sensibilidade e alma - e manifesta o seu íntimo significado ao levar a pessoa para o dom de si no amor».
17. O Papa indica, logo a seguir, a escola como responsável desta educação para apoio da ação dos pais e em harmonia com eles. « A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve ser feita sempre sob sua cuidada orientação, seja no próprio lar, como nos centros educacionais por eles escolhidos e controlados. Neste sentido a Igreja reafirma a lei da subsidiariedade que a escola deve observar quando coopera na educação sexual, colocando-se no mesmo espírito que anima os pais ».
18. A fim de que o valor da sexualidade alcance a sua plena realização, « é de todo indispensável a educação para a castidade (...) que torna a pessoa capaz de respeitar e promover o significado esponsal do corpo ». Esta educação consiste no domínio de si, na capacidade de orientar o instinto sexual ao serviço do amor e de integrá-lo no desenvolvimento da pessoa. Fruto da graça de Deus e da nossa colaboração, a castidade leva a integrar harmonicamente as diferentes componentes da pessoa, e a superar a fraqueza da natureza humana, marcada pelo pecado para que cada um possa seguir a vocação a que Deus o chama.
No compromisso de uma iluminada educação para a castidade, «os pais cristãos terão uma particular atenção e cuidado, descobrindo o chamamento de Deus, na educação para a virgindade como forma suprema daquele dom de si que constitui o sentido da sexualidade humana».
19. No ensino de João Paulo II, a consideração de um valor que deve ser descoberto e apreciado antecede a norma que não pode ser violada. A norma, todavia, interpreta e formula os valores para os quais o homem deve tender. «Por causa da íntima dependência - continua o Santo Padre - que existe entre a dimensão sexual da pessoa e seus valores éticos, a tarefa da educação deve levar os filhos a conhecerem e estimarem as normas morais como necessária e preciosa garantia para um responsável crescimento pessoal na sexualidade humana. Por isso a Igreja opõe-se firmemente a uma determinada forma de informação sexual, desligada dos princípios morais, tão frequentemente difundida, a qual nada mais seria do que uma introdução à experiência do prazer e um estímulo que leva a perder a serenidade - ainda nos anos da inocência - abrindo caminho para o vício»
20. Este documento, portanto, partindo da visão cristã do homem e referindo-se aos princípios enunciados recentemente pelo Magistério, deseja apresentar aos educadores algumas orientações fundamentais sobre a educação sexual e sobre as condições e modalidades que devem ser observadas no plano operativo.
I - ALGUNS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
21. Toda a educação se inspira numa específica concepção do homem. A educação cristã tende a favorecer a realização do homem através do desenvolvimento de todo o seu ser, espírito encarnado, e dos dons da natureza e da graça com os quais foi enriquecido por Deus. A educação cristã está radicada na fé que « tudo ilumina com uma nova luz e manifesta as intenções de Deus sobre a vocação integral do homem».
CONCEPÇÃO CRISTÃ DA SEXUALIDADE
22. Na visão cristã do homem, reconhece-se ao corpo uma particular função, porque contribui a revelar o sentido da vida e da vocação humana. A corporeidade é, de fato, o modo específico de existir e de operar próprio do espírito humano. Este significado é, antes de mais, de natureza antropológica: o corpo revela o homem, «exprime a pessoa» e é por isso a primeira mensagem de Deus ao próprio homem, quase uma espécie de «primordial sacramento, entendido como sinal que transmite eficazmente no mundo visível o mistério invisível escondido em Deus desde a eternidade»
23. Há um segundo significado de natureza teologal: o corpo contribui a revelar Deus e o seu amor criador, enquanto manifesta a criaturalidade do homem, a sua dependência de um dom fundamental, que é o dom de amor. «Isto é o corpo: testemunha da criação como de um dom fundamental, portanto testemunha do amor como fonte donde nasceu este mesmo doar »
24. O corpo enquanto sexuado, exprime a vocação do homem à reciprocidade, isto é, ao amor e ao mútuo dom de si. O corpo, enfim, reclama o homem e a mulher à sua constitutiva vocação à fecundidade, como um dos significados fundamentais do seu ser sexuado.
25. A distinção sexual, que aparece como uma determinação do ser humano, é diversidade, mas na igualdade da natureza e da dignidade.
A pessoa humana, pela sua natureza íntima, exige uma relação de alteridade que implica uma reciprocidade de amor. Os sexos são complementares: semelhantes e dissemelhantes ao mesmo tempo; não idênticos mas sim iguais quanto à dignidade da pessoa; semelhantes para se compreenderem, diferentes para se completarem.
26. O homem e a mulher constituem dois modos segundo os quais a criatura humana realiza uma determinada participação do Ser divino : foram criados à «imagem e semelhança de Deus» e realizam completamente tal vocação não só como pessoas singulares, mas também como casal, qual comunidade de amor. Orientados para a união e a fecundidade, o homem e a mulher casados participam do amor criador de Deus, vivendo a comunhão com Ele através do outro.
27. A presença do pecado obscurece a inocência original, torna menos fácil ao homem a percepção destas mensagens : a sua decifração tornou-se assim uma tarefa ética, objeto duma difícil obrigação, confiada ao homem : «O homem e a mulher depois do pecado original perderam a graça da inocência original. A descoberta do significado esponsal do corpo deixará de ser para eles uma simples realidade da revelação e da graça. Todavia tal significado permanecerá como obrigação dada ao homem pelo ethos do dom, inscrito no profundo do coração humano, como longínquo eco da inocência original ».
Frente a esta capacidade do corpo de ser ao mesmo tempo sinal e instrumento de uma vocação ética, pode-se descobrir uma analogia entre o mesmo corpo e a economia sacramental, que é a via concreta através da qual a graça e a salvação chegam ao homem.
28. A inclinação do homem « histórico » a reduzir a sexualidade unicamente à experiência genital, explica a existência de reações tendentes a desvalorizar o sexo, como se por sua natureza fosse indigno do homem. As presentes orientações entendem opor-se a tal desvalorização.
29. «Somente no Mistério do Verbo Encarnado encontra verdadeira luz o mistério do homem » e a existência humana adquire o seu pleno significado na vocação à vida divina. Só seguindo Cristo, o homem responde a esta vocação e se torna plenamente homem, crescendo até atingir « o homem perfeito, na medida que convém à plena maturidade de Cristo ».
30. À luz do mistério de Cristo, a sexualidade aparece-nos como vocação a realizar aquela caridade que o Espírito Santo infunde no coração dos redimidos. Jesus Cristo sublimou tal vocação com o Sacramento do matrimônio.
31. Jesus indicou, além de mais, com o exemplo e a palavra, a vocação à virgindade por causa do reino dos céus. A virgindade é vocação ao amor : torna o coração mais livre para amar Deus. O coração virgem não está condicionado pelos compromissos requeridos pelo amor nupcial, pode, portanto, ser mais disponível para o amor gratuito dos irmãos.
A virgindade pelo reino dos céus, por consequência, exprime melhor a doação de Cristo ao Pai pelos irmãos e melhor prefigura a realidade da vida eterna, toda substanciada de caridade.
A virgindade implica certamente renúncia à forma de amor típica do matrimônio. Assume porém, a nível mais profundo, o dinamismo; inerente à sexualidade, de abertura oblativa aos outros, potenciado e transfigurado pela presença do Espírito que nos ensina a amar o Pai e os irmãos como o fez o Senhor Jesus.
32. Em síntese a sexualidade é chamada a exprimir valores diversos a que correspondem exigências morais específicas : orientada para o diálogo interpessoal contribui para a maturidade integral do homem abrindo-o ao dom de si no amor; ligada, além de mais, na ordem da criação, à fecundidade e à transmissão da vida, é chamada a ser fiel também a esta sua interna finalidade. Amor e fecundidade são todavia significados e valores da sexualidade que se incluem e reclamam mutuamente e não podem portanto ser considerados nem alternativos nem opostos.
33. A vida afetiva, própria de cada sexo, exprime-se de modo característico nos diversos estados de vida: a união dos cônjuges, o celibato consagrado escolhido pelo Reino, a condição do cristão que não atingiu ainda o momento do compromisso matrimonial ou porque permaneceu solteiro, ou porque escolheu permanecer assim. Em todos os casos esta vida afetiva deve ser acolhida e integrada na pessoa humana.
NATUREZA, FINALIDADE E MEIOS DA EDUCAÇÃO SEXUAL
34 Objetivo fundamental desta educação é um conhecimento adequado da natureza e da importância da sexualidade e do desenvolvimento harmônico e integral da pessoa em ordem ao seu amadurecimento psicológico tendo em vista a plena maturidade espiritual, para a qual todos os crentes são chamados.
Para este fim o educador cristão recordará os princípios de fé e os diferentes métodos de intervenção, tendo em conta a valorização positiva que a pedagogia atual faz acerca da sexualidade.
35. Na perspectiva antropológica cristã a educação afetivo-sexual deve considerar a totalidade da pessoa e exigir, portanto, a integração dos elementos biológicos, psico-afetivos, sociais e espirituais. Esta integração tornou-se mais difícil, porque também o crente leva consigo as consequências do pecado de origem. Uma verdadeira « formação », não se limita à informação da inteligência; deve dar particular atenção à educação da vontade, dos sentimentos e das emoções. De fato, para encaminhar à maturidade da vida afetivo-sexual é necessário o domínio de si, o qual pressupõe virtudes como o pudor, a temperança, o respeito de si e dos outros, a abertura , ao próximo.
Tudo isso não é possível se não em virtude de uma salvação que vem de Jesus Cristo.
36. Mesmo que sejam dìferentes as modalidades que a sexualidade assume em cada pessoa, a educação deve promover, antes de mais nada, aquela maturidade que « comporta não somente a aceitação do valor sexual integrado no conjunto dos valores, como também a potencialidade oblativa, isto é, a capacidade de doação, de amor altruístico. Quando esta capacidade se realiza em medida adequada, a pessoa torna-se idônea para estabelecer contatos espontâneos, para se dominar emocionalmente e para se empenhar seriamente».
37. A pedagogia contemporânea de inspiração cristã vê no educando, considerado na sua totalidade e complexidade, o principal sujeito da educação. Ele deve ser ajudado, especialmente numa relação de confiança, a desenvolver as suas capacidades para o bem. Com muita facilidade isto se esquece, quando é dada demasiada importância à simples informação com prejuízo das outras dimensões da educação sexual. Na educação, de fato, goza da máxima importância o conhecimento de novos conceitos, vivificado, porém, pela assimilação dos valores correspondentes e por uma viva tomada de consciência das responsabilidades pessoais relacionadas com a idade adulta.
38. Dada a repercussão da sexualidade na totalidade da pessoa, é necessário ter presentes múltiplos aspectos: as condições de saúde, as influências do ambiente familiar e social, as impressões recebidas e as respectivas reações, a educação da vontade e o grau de desenvolvimento espiritual estimulado pela vida da graça.
39. Tudo o que foi exposto até agora, serve aos educadores como ajuda e guia para a formação da personalidade dos jovens. Estes devem ser estimulados para uma reflexão crítica acerca das impressões recebidas, e ao mesmo tempo que o educador lhes propõe os valores, deve dar testemunho de uma vida espiritual autêntica, tanto pessoal como comunitária.
40. Considerados os íntimos laços existentes entre a moral e a sexualidade, é necessário que o conhecimento das normas morais seja acompanhado por claras motivações, de maneira a fazer amadurecer uma sincera adesão pessoal.
41. A pedagogia contemporânea tem plena consciência do fato de que a vida humana é assinalada por uma evolução constante e de que a formação pessoal é um processo permanente. Isto é também verdade para a sexualidade que se exprime com características particulares nas diferentes fases da vida. Ela, evidentemente traz consigo riquezas e várias dificuldades a cada etapa do seu amadurecimento.
42. Os educadores deverão ter presente as etapas fundamentais de tal evolução; o instinto primitivo, que no começo se manifesta no estado rudimentar, encontra, em seguida, a ambivalência do bem e do mal. Com a ajuda da educação, os sentimentos estabilizam-se e ao mesmo tempo aumenta o sentido da responsabilidade. Gradualmente o egoísmo é eliminado, estabelece-se um certo ascetismo, o outro é aceito e amado em si mesmo; integram-se os elementos da sexualidade: genitalidade, erotismo, amor e caridade. Ainda que nem sempre se consegue um resultado absoluto, são mais numerosos do que se pensa, os casos daqueles que se aproximam da meta a que aspiram.
43. Os educadores cristãos devem estar convencidos de que a educação sexual se realiza plenamente no âmbito da fé. Incorporado pelo Batismo em Cristo ressuscitado, o cristão sabe que também o seu corpo foi vivificado e purificado pelo Espírito que Jesus lhe comunica.
A fé no mistério de Cristo ressuscitado, que pelo seu Espírito atua e prolonga nos fiéis o mistério da ressurreição, descobre ao crente a vocação para a ressurreição da carne, já iniciada graças ao Espírito que habita no justo como penhor e princípio da ressurreição total e definitiva.
44. A desordem provocada pelo pecado, presente e operante no indivíduo como também na cultura que caracteriza a sociedade, exerce um forte impulso para levar a conceber e viver a sexualidade de maneira oposta à lei de Cristo, conforme aquela que São Paulo chamou a lei do pecado. Às vezes as estruturas econômicas, as leis do estado, os mass- média, os sistemas de vida das grandes metrópoles, são fatores que incidem negativamente no homem. Disto a educação cristã toma consciência e indica as orientações para se opor responsavelmente a tais estímulos.
45. Este esforço constante é sustentado e torna-se possível pela graça divina mediante a palavra de Deus acolhida com fé, a oração filial e a participação nos Sacramentos. Em primeiro lugar está a Eucaristia, comunhão com Cristo no próprio ato do seu sacrifício, onde efetivamente o jovem que crê, encontra o pão da vida como « viático » para afrontar e superar os obstáculos durante o seu peregrinar terreno. O Sacramento da Reconciliação, através da graça que lhe é própria e a ajuda da direção espiritual, não só reforça a capacidade de resistência ao mal, como dá coragem para recomeçar de novo depois de uma queda.
Estes sacramentos são oferecidos e celebrados na comunidade eclesial. Aquele que participa na vida desta comunidade, recebe dos sacramentos a força para realizar, no seu estado, uma vida casta.
46. A oração pessoal e comunitária é o meio insubstituível para conseguir de Deus a força necessária para manter fidelidade aos compromissos batismais, para resistir aos impulsos da natureza humana ferida pelo pecado e para equilibrar as emoções provocadas pelas influências negativas do ambiente.
O espírito de oração ajuda a viver com coerência a prática dos valores evangélicos de lealdade e sinceridade de coração, de pobreza e humildade, no esforço diário de trabalho e de compromisso para com o próximo. A vida interior leva à alegria cristã que vence, para além de todo o moralismo e ajuda psicológica, a luta contra o mal. Através do contato frequente e íntimo com o Senhor, todos, e os jovens de maneira particular, conseguirão a força e o entusiasmo para uma vida pura e realizarão a sua vocação humana e cristã num sereno domínio de si e numa doação generosa aos outros.
A importância destas considerações não pode escapar a ninguém. Hoje, de fato, muitas pessoas, implícita ou explicitamente, têm uma atitude pessimista acerca da capacidade da natureza humana para assumir um compromisso definitivo para toda a vida, especialmente no matrimônio. A educação cristã deve reforçar a confiança dos jovens de modo que a sua compreensão e preparação sobre um compromisso para toda a vida seja acompanhada com a certeza de que Deus os ajuda com a sua graça a fim de que cada um possa levar a cabo o desígnio que Deus tem sobre ele.
47. A imitação e união com Cristo, que os santos viveram e nos transmitiram, são as motivações mais profundas para a nossa esperança de realizar o alto ideal de vida casta, que não é possível alcançar só com forças humanas.
A Virgem Maria, exemplo supremo de vida cristã. A Igreja, com séculos de experiência, está convencida que os fiéis, especialmente os jovens com devoção à Virgem, souberam realizar este ideal.
II. RESPONSABILIDADE NA ATUAÇÃO DA EDUCAÇÃO SEXUAL
FUNÇÃO DA FAMÍLIA
48. A educação é dever sobretudo da família que «é uma um escola do mais rico humanismo».
A família, de fato é o melhor ambiente para cumprir a obrigação de garantir uma gradual educação da vida sexual. Ela tem uma carga afetiva capaz de fazer aceitar sem traumas mesmo as realidades mais delicadas e a integrá-las harmonicamente numa personalidade equilibrada e rica.
49. O afeto e a confiança recíproca que se vivem na família são necessários ao desenvolvimento harmônico e equilibrado da criança desde o seu nascimento. Para que os laços afetivos naturais que unem os pais aos filhos sejam positivos no grau máximo, os pais sob a base de um sereno equilíbrio sexual, instaurem uma relação de confiança e de diálogo com os filhos, adequada à idade e desenvolvimento deles.
50. Para poder dar aos filhos orientações eficazes necessárias para resolver os problemas do momento, antes mesmo dos conhecimentos teóricos, os adultos sejam exemplo com o seu comportamento. Os pais cristãos devem ser conscientes de que o seu exemplo representa a contribuição mais válida na educação dos filhos. Estes, por sua vez, poderão alcançar a certeza que o ideal cristão é uma realidade vivida no seio da própria família.
51. A abertura e a colaboração dos pais com os outros educadores corresponsáveis pela formação influirão positivamente no amadurecimento do jovem. A preparação teórica e a experiência dos pais ajudarão os filhos a compreender o valor e a função própria das realidades de homem e de mulher.
52. A plena realização da vida conjugal, e consequentemente, a estabilidade e santidade da família, dependem da formação da consciência e dos valores assimilados durante o processo formativo dos próprios genitores. Os valores morais vividos na família são mais facilmente transmitidos aos filhos.
Entre estes valores morais têm grande relevo o respeito pela vida no seio materno e, em geral, o respeito da pessoa humana, de qualquer estado e condição. Os jovens devem ser ajudados a fim de conhecerem, apreciarem, e respeitarem estes valores fundamentais da existência.
Dada a sua importância para a vida cristã, como também na perspectiva de um chamamento divino ao sacerdócio ou à vida consagrada, a educação sexual adquire uma dimensão eclesial.
A COMUNIDADE ECLESIAL
53. A Igreja, mãe dos fiéis por ela gerados para a fé no Batismo, tem uma missão educativa confiada por Cristo, que se realiza especialmente pelo anúncio, pela plena comunhão com Deus e com os irmãos, pela participação consciente e ativa na liturgia Eucarística e pela atividade apostólica. A comunidade eclesial constitui-se, desde o desabrochar da vida, num ambiente que torna possível a assimilação da ética cristã na qual os fieis aprendem a testemunhar a Boa Nova.
54. As dificuldades que a educação sexual frequentemente encontra no seio da família, exigem um maior compromisso da comunidade cristã e, em particular, dos sacerdotes, para colaborar na educação dos batizados. Neste campo são chamados a cooperar com a família a escola católica, a paróquia e outras instituições eclesiais.
55. Do caráter eclesial da fé segue-se a corresponsabilidade da comunidade cristã para ajudar os batizados a viver com coerência e convicção os compromissos assumidos no Batismo. É tarefa dos Bispos propor normas e orientações adaptadas às necessidades de cada igreja.
CATEQUESE E EDUCAÇÃO SEXUAL
56. A catequese é chamada a ser terra fecunda na renovação de toda a comunidade eclesial. Assim, para levar os fiéis à maturidade da fé ela deve apresentar os valores positivos da sexualidade, integrando-os com os da virgindade e do matrimônio, à luz do Mistério de Cristo e da Igreja.
Esta catequese deveria salientar que a primeira vocação a do cristão é o amor, e que a vocação ao amor é realizada por dois caminhos diferentes: no matrimônio ou numa vida celibatária por amor do Reino. «O matrimônio e a virgindade são as duas maneiras de manifestar e de viver o único mistério da Aliança de Deus com o seu povo».
57. A fim de que as famílias tenham a certeza de que a catequese não se afasta do Magistério da Igreja, os Pastores empenhem-se na escolha e preparação das pessoas responsáveis, assim como na determinação dos conteúdos e dos métodos.
58. Permanece em seu pleno valor, a norma indicada no n° 48, de que, no concernente aos aspectos mais íntimos, biológicos e afetivos, dever-se-á privilegiar a educação individual, e de preferência no âmbito da família.
Mantendo-se firme o princípio que, a catequese realizada no seio da familia constitui uma forma privilegiada, se nalguma circunstância os pais não se consideram aptos a cumprir esta tarefa, podem pedir a colaboração de outros que gozem da sua confiança. Uma iniciativa sábia, prudente e adaptada à idade e ao ambiente pode evitar traumas à crianças e tornar para elas mais fácil a solução dos problemas sexuais. De qualquer modo não bastam as lições formais. Para uma verdadeira integração é necessário aproveitar as múltiplas ocasiões da vida cotidiana.
CATEQUESE PRÉ-MATRIMONIAL
60. Um aspecto fundamental da preparação dos jovens para o matrimônio consiste em proporcionar-lhes uma exata visão da ética cristã sobre a sexualidade. A catequese oferece a vantagem de situar-se na perspectiva imediata do matrimônio. Porém, para conseguir plenamente o seu objetivo, a catequese deve ser continuada convenientemente de modo a tornar-se um verdadeiro catecumenato. Além disso, tende a manter e robustecer a castidade própria dos namorados, a prepará-los para a vida conjugal, vivida cristamente, e para a missão específica que os cônjuges têm no meio do Povo de Deus.
61. Os futuros esposos devem conhecer o significado profundo do matrimônio, entendido como união de amor para a realização do casal e para a procriação. A estabilidade do matrimônio e do amor conjugal exige, como condição indispensável, a castidade e o domínio de si, a formação do caráter e o espírito de sacrifício. Com referência a algumas dificuldades da vida conjugal, que se tornaram mais agudas nas condições do nosso tempo, a castidade juvenil, como adequada preparação para a castidade matrimonial, será de valiosa ajuda para os casais. Eles terão necessidade além disso, de serem iluminados sobre a lei divina, necessária à formação das suas consciências, e declarada pelo Magistério da Igreja.
62. Instruídos acerca do valor e da grandeza do sacramento do matrimônio, que especifica para eles a graça e a vocação do batismo, os esposos cristãos saberão viver conscientemente os valores e os compromissos específicos da sua vida moral como exigência e fruto da graça e da ação do Espírito, «fortalecidos e como que consagrados por especial sacramento para os deveres e a dignidade do seu estado».
Além disso, a fim de viver a sua sexualidade e cumprir as responsabilidades de acordo com o projeto de Deus é importante que os esposos tenham um verdadeiro conhecimento dos métodos naturais para regular a sua fertilidade. Como disse João Paulo II « ... é preciso fazer todo o esforço para que tal conhecimento se torne acessível a todos os cônjuges e, antes ainda aos jovens, através de uma informação e de uma educação claras, apropriadas e sérias, com a ajuda de casais, de médicos e de peritos». É de notar que o uso dos contraceptivos, insistentemente propagados nos nossos dias, contrasta com estes ideais cristãos e estas normas morais das quais a Igreja é Mestra.
Tal fato torna ainda mais urgente a necessidade de que sejam transmitidos aos jovens, na idade oportuna, os ensinamentos da Igreja sobre o uso dos contraceptivos artificiais, explicando-lhes também os motivos de tais ensinamentos, para que se preparem a viver o seu matrimônio responsavelmente, pleno de amor e aberto à vida.
ORIENTAÇÕES PARA OS ADULTOS EDUCADORES
63. Uma sólida preparação catequética dos adultos, sobre o amor humano, é a base para a educação sexual das crianças. Este é o meio que assegura a aquisição da maturidade humana iluminada pela fé, que será decisiva para o diálogo que os adultos estão chamados a estabelecer com as novas gerações. Além das indicações que se referem aos métodos que devem ser usados, a catequese favorecerá uma oportuna troca de idéias sobre os problemas particulares, dará a conhecer melhor o material a utilizar e proporcionará eventuais encontros com peritos, cuja colaboração será particularmente útil nos casos difíceis.
TAREFA DA SOCIEDADE CIVIL
64. A pessoa deveria encontrar na sociedade já manifestos e vividos os valores que exercem influência, não de forma secundária, no processo formativo. Será, portanto, tarefa da sociedade civil, por ser expressão do bem comum, vigiar para que seja assegurado um saudável ambiente físico e moral nas escolas e para que sejam favorecidas as condições que correspondam às positivas exigências dos pais ou que recebam a sua livre adesão.
65. É tarefa do Estado defender os cidadãos das injustiças das desordens morais como o abuso dos menores e toda a forma de violência sexual, a degradação dos costumes, a permissividade e a pornografia, a manipulação das informações demográficas.
RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO PARA O USO DOS INSTRUMENTOS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
66. No mundo atual os instrumentos da comunicação social, com seu poder de penetração e sugestão, realizam sobre os jovens e os adolescentes, sobretudo no campo da educação sexual, uma contínua e condicionante atividade de informação e de ensino muito mais incisiva do que a da família.
João Paulo II indicava a situação na qual se encontram as crianças perante os instrumentos da comunicação social: «Conquistados e sem defesa perante o mundo e as pessoas adultas, as crianças estão naturalmente dispostas a aceitar tudo o que lhes é oferecido, tanto no bem como no mal ... Elas são atraídas pelo «pequeno ecran» seguem todos os gestos que são apresentados e percebem antes e melhor que qualquer outra pessoa, as emoções e os sentimentos que deles provêm.
67. É preciso salientar, porém, que por causa da mesma evolução tecnológica se torna menos fácil e eficaz o necessário controle. Daqui a urgência também para uma reta educação sexual, que «os destinatários sobretudo os jovens, procurem acostumar-se a ser moderados e disciplinados no uso destes instrumentos; ponham, além disso, empenho em entenderem bem o que ouvem, lêem e vêem; dialoguem com educadores e peritos na matéria e aprendam a formar um reto juízo».
68. Para a defesa dos direitos da criança neste campo João Paulo II estimula a consciência de todos os cristãos responsáveis, em particular os pais e e responsáveis dos instrumentos de comunicação social, para que não escondam, sob um pretexto de neutralidade e de respeito pelo espontâneo desenvolvimento da criança, o que na realidade é um comportamento de preocupante desinteresse.
«Neste setor incumbem, também à autoridade civil, especiais deveres que têm o seu fundamento na tutela do bem comum», o qual exige que um estatuto jurídico sobre os instrumentos da comunicação social proteja a moralidade pública, de modo particular o mundo da juventude, especialmente no que diz respeito às revistas, aos filmes, aos programas de rádio e de televisão; às exposições, aos espetáculos e à publicidade.
TAREFA DA ESCOLA EM RELAÇÃO À EDUCAÇÃO SEXUAL
69. Mantendo-se tudo o que foi dito sobre o dever primário da família, a função da escola é de assistência e complementaridade à tarefa dos pais, oferecendo às crianças e aos adolescentes uma apreciação da «sexualidade como valor e tarefa de toda e pessoa criada, homem e mulher, à imagem de Deus».
70.O diálogo interpessoal exigido na educação sexual, tende a suscitar no educando uma disposição interior capaz de motivar e guiar o comportamento da pessoa. Ora, tal atitude está intimamente unida aos valores inspirados pela concepção da vida. A educação sexual não se pode reduzir à simples matéria de ensino ou só de conhecimentos teóricos, não consiste num programa a ser transmitido progressivamente, mas é um objetivo específico a atingir: aquela maturação afetiva do aluno, o domínio de si e o reto comportamento nas relações sociais.
71. A escola pode contribuir para a realização deste objetivo de diferentes modos. Todas as matérias podem oferecer a oportunidade para tratar temas relativos à sexualidade; o professor fará isso sempre de maneira positiva e com grande delicadeza, discernindo no concreto sobre a oportunidade e o modo.
A educação sexual individual conserva sempre valor prioritário e não pode ser confiada indistintamente a qualquer membro da comunidade escolar. De fato, como se especificará a seguir, além do juízo reto, sentido de responsabilidade, competência profissional, maturidade afetiva e pudor, esta educação exige da parte do educador especial sensibilidade para iniciar a criança e o adolescente nos problemas do amor e da vida sem perturbar o seu desenvolvimento psicológico.
72. Mesmo que o educador possua as qualidades necessárias para uma educação sexual em grupos, é preciso levar em consideração sempre a situação concreta do próprio grupo. Isto vale sobretudo no caso de grupos mistos para os quais são exigidas especiais precauções. De qualquer maneira, as autoridades responsáveis devem examinar juntamente com os pais a oportunidade de proceder de tal forma. Dada a complexidade do problema, é bom oferecer ao educando alguma ocasião para contatos pessoais de maneira a proporcionar-lhe um ambiente que favoreça o pedido de conselhos ou esclarecimentos que, por um natural sentido de pudor, não facilitaria ao adolescente manifestar-se diante dos outros. Só uma íntima colaboração entre a escola e a família poderá garantir uma proveitosa troca de experiências entre pais e professores para o bem dos alunos. Tendo em conta as legislações das escolas e as circunstâncias locais, cabe aos Bispos dar as indicações acerca da educação sexual em grupos, sobretudo quando são mistos.
73. Pode, às vezes, suceder que acontecimentos particulares da vida escolar exijam uma intervenção oportuna. Neste caso, as autoridades da escola, coerentes com o princípio de colaboração, contactarão os pais para decidir acerca da solução mais oportuna. Poder-se-à convidar pessoas, particularmente indicadas pela competência e equilíbrio e que gozem da confiança dos pais, para dialogar em privado com cada aluno para ajudá-lo a desenvolver o seu amadurecimento afetivo e a organizar de maneira equilibrada as suas relações. Tais intervenções de orientação pessoal impõem-se em particular nos casos mais difíceis, a não ser que a gravidade da situação imponha a necessidade de recorrer ao especialista na matéria.
75. A formação e o desenvolvimento de uma personalidade harmônica exigem uma atmosfera serena, fruto do entendimento, recíproca confiança e colaboração entre os responsáveis. Isto consegue-se com o respeito mútuo da competência específica dos diversos agentes da educação, das particulares atribuições, das respectivas responsabilidades e da escolha dos meios diferenciados que estão à sua disposição.
MATERIAL DIDÁTICO APROPRIADO
76. Para oferecer uma educação sexual correta, pode ajudar um material didático apropriado. A elaboração deste material será uma tarefa constante para a qual se deve pedir a colaboração de especialistas em teologia moral e pastoral, de catequistas, de pedagogos e psicólogos católicos. O mesmo se diga no que se refere ao material destinado ao uso imediato pelos alunos.
Alguns livros escolares sobre a sexualidade, por causa do seu caráter naturalista, são nocivos tanto para a criança, como para o adolescente. Ainda mais nocivo é o material gráfico e audio-visual, quando apresenta cruamente realidades sexuais para as quais o aluno não está preparado, e desta forma provoca nele impressões traumáticas ou desperta inconvenientes curiosidades que o levam ao mal. Os educadores pensem seriamente sobre o dano grave que pode causar aos alunos uma atitude irresponsável num assunto tão delicado.
GRUPOS JUVENIS
77 .Existe na educação um fator que não se deve esquecer e que se conjuga com a atividade da família e da escola e frequentemente tem um influxo ainda maior na formação da pessoa: são grupos juvenis que se constituem nas atividades do tempo livre, as quais empenham intensamente a vida do adolescente e do jovem. As ciências humanas consideram os «grupos» como condição positiva para a formação, porque não é possível o amadurecimento da personalidade sem eficazes relações interpessoais.
III. CONDIÇÕES E MODALIDADES DA EDUCAÇÃO SEXUAL
78. A complexidade e a delicadeza desta tarefa exige uma esmerada preparação dos educadores, qualidades específicas para a ação educativa, e uma particular atenção para precisar os objetivos.
PREPARAÇÃO DOS EDUCADORES
79. A personalidade amadurecida dos educadores, a sua preparação e equilíbrio psíquico influem profundamente nos educandos. Uma exata e completa visão do sentido e do valor da sexualidade e uma serena integração da mesma na própria personalidade são indispensáveis para os educadores a favor de uma construtiva ação educativa. A sua capacidade não é tanto fruto de conhecimentos teóricos, mas sobretudo resultado de uma maturidade afetiva. Isto todavia não o dispensa de adquirir os conhecimentos científicos úteis à sua tarefa educativa, particularmente árdua nos nossos tempos. Os encontros com famílias poderão ser de grande ajuda.
80. As disposições que devem caracterizar o educador são o resultado de uma formação geral; baseada sobre uma concepção positiva e construtiva da vida e sobre o esforço constante para realizá-la. Uma tal formação vai mesmo além da necessária preparação profissional e atinge os aspectos mais íntimos da personalidade, incluindo o religioso e o espiritual. Este último será a garantia de uma procura seja dos princípios cristãos seja dos meios sobrenaturais que devem sustentar as intervenções educativas.
81. O educador que desenvolve a sua tarefa fora do ambiente familiar, precisa de uma preparação psico-pedagógica apropriada e séria, que lhe permita perceber situações particulares que exijam uma atenção especial. Será assim capaz de aconselhar os próprios pais, especialmente quando o rapaz ou a jovem precisam do psicólogo.
82. Além dos indivíduos normais e dos casos patológicos, existe uma vasta gama de indivíduos com problemas menos agudos e persistentes, que correm o risco de passarem sem os cuidados necessários apesar de precisarem verdadeiramente de ajuda. Nestes casos, mais do que uma terapia a nível médico, trata-se de um constante trabalho de apoio e de orientação por parte dos educadores.
QUALIDADES DOS MÉTODOS EDUCATIVOS
83. Torna-se necessária uma visão clara da situação, porque o método usado não somente condiciona grandemente o sucesso desta delicada educação, como também a colaboração entre os diferentes responsáveis. Na realidade as críticas, que normalmente se fazem, referem-se mais aos métodos usados por alguns educadores do que ao fato da sua intervenção. Estes métodos devem ter qualidades precisas, tanto no que se refere ao sujeito como aos próprios educadores e à finalidade que tal educação se propõe.
EXIGÊNCIAS DO SUJEITO E INTERVENÇÃO EDUCATIVA
84. A educação afetivo-sexual, sendo mais condicionada do que outras por causa do grau do desenvolvimento físico e psicológico do educando, deve sempre ser adaptada ao indivíduo. Em certos casos é necessário prevenir o sujeito preparando-o para situações particularmente difíceis, quando se prevê que deverá enfrentá-las, ou alertando-o contra os perigos iminentes ou constantes.
85. É necessário, porém, respeitar o caráter progressivo desta educação. Uma correta gradualidade das intervenções deve estar atenta aos momentos do desenvolvimento físico e psicológico que exigem uma preparação mais cuidada e um tempo de amadurecimento prolongado. É preciso ter a certeza de que o educando tenha assimilado os valores, os conhecimentos e as motivações que lhe foram propostos ou as mudanças e as evoluções que pode observar em si mesmo e dos quais o educador indica oportunamente as causas, as relações e a finalidade.
QUALIDADE DAS INTERVENÇÕES EDUCATIVAS
86. Para oferecer uma valiosa contribuição ao desenvolvimento harmônico e equilibrado dos jovens, os educadores devem planear as suas intervenções conforme a tarefa específica que exercem. O sujeito não percebe, nem aceita da mesma maneira, por parte dos diversos educadores, as informações e as motivações que lhe são oferecidas, porque atingem de maneira diferente a sua intimidade. Objetividade e prudência devem caracterizar estas intervenções.
87. A informação progressiva exige uma explicação parcial mas sempre conforme à verdade. As explicações não devem ser deformadas por reticências ou por falta de naturalidade. A prudência porém exige do educador não somente uma oportuna adaptação do assunto às exigências do sujeito, como também a escolha da linguagem, da maneira e do momento para intervir. A prudência exige que se tenha em conta o pudor da criança. O educador lembre além disso a influência dos pais: a sua preocupação para esta dimensão da educação, o caráter peculiar da educação familiar, sua concepção da vida, o grau de abertura para os outros ambientes educativos.
88. Deve-se insistir, antes de mais, sobre os valores humanos e cristãos da sexualidade para torná-los estimados e para suscitar o desejo de realizá-los na vida pessoal e nas relações com os outros. Sem menosprezar as dificuldades que o desenvolvimento sexual comporta, e também sem criar um estado obsessivo, o educador tenha confiança na ação educativa: ela pode encontrar apoio na ressonância que os valores verdadeiros encontram nos jovens, quando são apresentados com convicção e confirmados pelo testemunho da vida.
89. Dada a importância da educação sexual na formação integral da pessoa, os educadores, tendo em conta os diferentes aspectos da sexualidade e sua incidência na personalidade global, ponham todo o empenho especialmente em não separar os conhecimentos dos valores correspondentes que dão um sentido e uma orientação às informações biológicas, psicológicas e sociais. Quando, portanto, apresentam as normas morais, é necessário que expliquem onde encontram a sua razão de ser e os valores que comportam.
EDUCAÇÃO PARA O PUDOR E A AMIZADE
90. O pudor, componente fundamental da personalidade, pode ser considerado - no plano educativo - como consciência vigilante que defende a dignidade do homem e o amor autêntico. Isto tende a reagir contra determinadas atitudes e a refrear comportamentos que ofuscam a dignidade da pessoa. É um meio necessário e eficaz para dominar os instintos, para fazer brotar o amor autêntico, para integrar a vida afetivo-sexual dentro de uma certa harmonia da pessoa. O pudor tem um grande alcance pedagógico e deve, por isso, ser valorizado. Crianças e jovens aprenderão, assim, a respeitar o seu corpo como dom de Deus, membro de Cristo e templo do Espírito Santo; aprenderão a resistir ao mal que os envolve, a ter um olhar e uma imaginação límpida, a procurar expressar no encontro afetivo com as pessoas um amor verdadeiramente humano com todas as suas componentes espirituais.
91. Para esta finalidade sejam-lhes apresentados modelos concretos e atraentes, desenvolva-se o sentido da virtude estético, inspirando neles o gosto do belo presente na natureza, na arte e na vida moral; sejam educados os jovens a assimilar um sistema de valores sensíveis e espirituais num impulso desinteressado de fé e de amor.
92. A amizade é o ápice da maturidade afetiva e se diferencia da simples camaradagem pela sua dimensão interior, por uma comunicação que permite e favorece a verdadeira comunhão, pela recíproca generosidade e a estabilidade. A educação para a amizade pode tornar-se um fator de extraordinária importância para a construção da personalidade na sua dimensão individual e social.
93. Os vínculos de amizade que unem os jovens dos diferentes sexos, contribuem para a compreensão e a estima recíproca, quando eles se conservam nos limites de normais expressões afetivas. Se, pelo contrário, se tornam ou tendem a tornar-se manifestações de tipo genital, eles perdem o autêntico sentido de amizade amadurecida, prejudicando os aspectos relacionais em ato e as perspectivas futuras em referência a um eventual matrimônio, tornam-se menos atentos a um possível chamamento para a vida consagrada.
IV. ALGUNS PROBLEMAS PARTICULARES
O educador poderá encontrar-se, no cumprimento da sua missão, perante alguns problemas particulares acerca dos quais se julga oportuno demorar.
94. A educação sexual deve levar os jovens a tomar consciência das diferentes expressões e dos dinamismos da sexualidade, dos valores humanos que devem ser respeitados. O verdadeiro amor é capacidade de abertura ao próximo numa ajuda generosa, é dedicação ao outro para o bem dele; sabe respeitar a personalidade e a liberdade do outro; não é egoísta, não se procura a si próprio no outro, é oblativo, não possessivo. O instinto sexual, ao contrário, se entregue a si próprio, reduz-se à genitalidade e tende a dominar o outro, procurando imediatamente uma satisfação pessoal.
95. As relações íntimas devem-se realizar somente no quadro do matrimônio, porque só então se verifica o nexo inseparável, querido por Deus, entre o significado unitivo e o significado procriativo de tais relações, colocadas na função de conservar, confirmar e expressar uma definitiva comunhão de vida - «uma só carne» - mediante a realização de um amor «humano», «total», «fiel», «fecundo», isto é o amor conjugal. Por isso as relações sexuais fora do contexto matrimonial constituem uma desordem grave, porque são expressão reservada a uma realidade que ainda não existe; são uma linguagem que não encontra correspondência na realidade da vida das duas pessoas, ainda não constituídas em comunidade definitiva com o necessário reconhecimento e garantia da sociedade civil e, para os cônjuges católicos, também religiosa.
96. Estão-se difundindo cada vez mais entre os adolescentes e os jovens certas manifestações de tipo sexual que por si se dirigem à relação completa sem, porém chegar à sua realização; manifestações da genitalidade que são uma desordem moral, porque se dão fora de um contexto matrimonial.
97. A educação sexual ajudará os adolescentes a descobrir os valores profundos do amor e a entender os danos que tais manifestações trazem para o seu amadurecimento afetivo, por quanto levam a um encontro não pessoal, mas instintivo, frequentemente enfraquecido por reservas e cálculos egoísticos, sem, portanto, o caráter de uma verdadeira relação pessoal e, menos ainda, definitiva. Uma autêntica educação levará os jovens para a maturidade e o domínio de si, frutos de uma escolha consciente e de um esforço pessoal.
98. É finalidade de uma autêntica educação sexual favorecer um progresso contínuo no domínio dos impulsos; para se abrir, no tempo oportuno, a um amor verdadeiro e oblativo. Um problema particularmente complexo e delicado que se pode apresentar, é o da masturbação e das suas repercussões no crescimento integral da pessoa. A masturbação, conforme a doutrina católica constitui, uma grave desordem moral, principalmente porque é uso da faculdade sexual numa maneira que contradiz essencialmente a sua finalidade, não estando ao serviço do amor e da vida conforme o plano de Deus.
99. Um educador e conselheiro perspicaz deve esforçar-se por individuar as causas do desvio, para ajudar o adolescente a superar a imaturidade que está por baixo deste hábito. Do ponto de vista educativo, é preciso lembrar que a masturbação e outras formas de auto-erotismo, são sintomas de problemas muito mais profundos, os quais provocam uma tensão sexual que o sujeito procura superar recorrendo a tal comportamento. Este fato exige também a necessidade de que a ação pedagógica seja orientada mais para as causas do que para a repressão direta do fenômeno.
Mesmo tendo em consideração a gravidade objetiva da masturbação, use-se da cautela necessária na apreciação da responsabilidade subjetiva.
100. Para ajudar o adolescente a sentir-se acolhido numa comunhão de caridade e arrancado da cela do próprio eu, o educador «deverá tirar todo o drama do fato da masturbação e não diminuir a sua estima e benevolência para com o sujeito»; deverá ajudá-lo a integrar-se socialmente, abrir-se e interessar-se pelos outros, para poder libertar-se desta forma de auto-erotismo, encaminhando-se para o amor oblativo, próprio de uma afetividade madura; ao mesmo tempo o estimulará a recorrer aos meios indicados pela ascese cristã, como sendo a oração e os sacramentos e a empenhar-se nas obras de justiça e de caridade.
101. A homossexualidade, que impede à pessoa de alcançar a sua maturidade sexual, seja do ponto de vista individual, como inter-pessoal, é um problema que deve ser assumido pelo sujeito e pelo educador, quando se apresentar o caso, com toda a objetividade.
«Na ação pastoral estes homossexuais devem ser acolhidos com compreensão e sustentados na esperança de superar as suas dificuldades pessoais e sua desadaptação social. A sua culpabilidade será julgada com prudência; porém não se pode usar nenhum método pastoral que, julgando estes atos conformes à condição daquelas pessoas, lhes atribua uma justificação moral.
Conforme a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são atos carentes da sua regra essencial e indispensável».
102. Será tarefa da família e do educador procurar antes de mais nada individualizar os fatores que levam à homossexualidade: descobrir se se trata de fatores fisiológicos ou psicológicos, se esta será o resultado de uma falsa educação ou da falta de uma evolução sexual normal, se provém de um hábito contraído ou de maus exemplos ou de outros fatores. Muito particularmente, ao procurar as causas desta desordem, a família e os educadores, deverão ter em conta os elementos de juízo propostos pelo Magistério, e ao mesmo tempo servir-se do contributo que as várias disciplinas podem oferecer. Dever-se-á, de fato, levar em consideração, para avaliar, elementos de diversa índole : falta de afeto, imaturidade, impulsos obsessivos, sedução, isolamento social, depravação de costumes, licenciosidade de espetáculos e de publicações. E além de tudo isto, existe mais no profundo, a congênita fraqueza do homem, como consequência do pecado original; esta fraqueza pode levar à perda do sentido de Deus e do homem e ter suas repercussões na esfera da sexualidade.
103. Descobertas e entendidas as causas, a família e os educadores devem proporcionar uma ajuda eficaz no processo de crescimento integral : acolhendo com compreensão, criando um clima de confiança, encorajando o indivíduo à libertação e domínio de si, promovendo um autêntico esforço moral para a conversão ao amor de Deus e do próximo; sugerindo, se for necessário, a assistência médico-psicológica de uma pessoa que atenda e respeite os ensinamentos da Igreja.
104. Uma sociedade permissiva que não oferece valores válidos sobre os quais fundamentar a vida, favorece evasões alienantes a que estão sujeitos, de maneira particular, os jovens. A sua carga de idealismo choca-se com a dureza da vida originando uma tensão que pode provocar, por causa da fraqueza da vontade, uma evasão destruidora na droga.
Este é um dos problemas que se torna cada vez mais grave e que assume tonalidades dramáticas para o educador. Algumas substâncias psicotrópicas aumentam a sensibilidade pelo prazer sexual e, em geral, diminuem a capacidade de auto-controle e, portanto, de defesa. O abuso prolongado da droga leva à destruição física e psíquica. Droga, autonomia mal entendida e desordem sexual, encontram-se frequentemente juntas. A situação psicológica e o contexto humano de isolamento, abandono, revoltas em que vivem os drogados, criam condições tais que levam com facilidade a cometer abusos sexuais.
105. A intervenção reeducativa, que exige uma profunda transformação interna e externa do indivíduo, é trabalhosa e longa, porque deve ajudar a reconstruir a personalidade e as suas relações com o mundo dos homens e dos valores. Mais eficaz é a ação preventiva. Esta procura evitar as carências afetivas profundas. O amor e a atenção educam para o valor, para a dignidade e para o respeito da vida, do corpo, do sexo, da saúde. A comunidade civil e cristã deve saber acolher oportunamente os debandados, sós, inseguros, ajudando-os a inserirem-se no estudo e no trabalho, a ocupar o tempo livre oferecendo-lhes lugares sãos de encontro, de alegria, de atividades, proporcionando-lhes ocasiões para novas relações afetivas e de solidariedade.
Em particular o desporto a serviço do homem possui um grande valor educativo não somente como disciplina física, mas também como ocasião de uma sã distensão na qual o sujeito se treina para renunciar ao seu egoísmo e a confrontar-se com os outros. Somente uma autêntica liberdade, educada, ajudada, promovida, defende da procura das liberdades ilusórias da droga e do sexo.
CONCLUSÃO
106. Destas reflexões pode-se concluir que na atual situação sócio-cultural é urgente oferecer às crianças, aos adolescentes e aos jovens uma positiva e gradual educação afetivo-sexual, em conformidade com as normas conciliares. O silêncio nunca pode ser uma regra válida de comportamento nesta matéria, sobretudo quando se pensa nos numerosos «persuasores ocultos» que usam uma linguagem insinuante. O seu influxo é inegável: cabe, portanto, aos pais vigiar não somente para consertar os danos provocados por intervenções inoportunas e nocivas, mas sobretudo para prevenir oportunamente os seus filhos oferecendo-lhes uma educação positiva e convincente.
107. A defesa dos direitos fundamentais da criança e do adolescente para o desenvolvimento harmônico e completo da personalidade conforme à dignidade de filhos de Deus, cabe em primeiro lugar aos pais. O amadurecimento pessoal exige, de fato, uma continuidade no processo educativo tutelado pelo amor e pela confiança, próprias do ambiente familiar.
108. No cumprimento da sua missão a Igreja tem o dever e o direito, de cuidar da educação moral dos batizados.
A intervenção da escola em toda a educação e particularmente nesta matéria tão delicada deve ser realizada de acordo com a família.
Isto supõe nos educadores e naqueles que participam com um compromisso explícito ou implícito, um reto critério acerca das finalidades da sua intervenção e da preparação para poder tratar este problema com delicadeza e num clima de serena confiança.
109. A fim de que a informação e a educação afetivo-sexual sejam eficazes devem realizar-se com oportuna prudência, com expressões adequadas e preferivelmente de forma individual. O êxito desta educação dependerá, em grande parte, da visão humana e cristã na qual o educador apresentará o valor da vida e do amor.
110. O educador cristão, seja ele pai ou mãe de família, professor, sacerdote e todo aquele que tem responsabilidade neste campo, pode, sobretudo hoje em dia, ser tentado a deixar para outros a tarefa que exige tão grande delicadeza, critério, paciência, coragem e que requer igual generosidade de compromisso no educando. É portanto, necessário, antes de concluir, reafirmar que este aspecto da ação educativa é sobretudo, para o cristão, obra de fé e de confiante procura da graça: cada aspecto da educação sexual, de fato, inspira-se na fé e recebe dela e da graça a força indispensável. A carta de S. Paulo aos Gálatas insere o domínio de si e a temperança no âmbito de quanto o Espírito, e Ele somente, pode realizar no crente. É Deus quem dá luz, é Deus quem comunica a energia suficiente.
111. A Sagrada Congregação para a Educação Católica dirige-se às Conferências Episcopais a fim de que promovam a união dos pais, das comunidades cristãs e dos educadores para uma ação convergente num setor tão importante para o futuro dos jovens e para o bem da sociedade. Convida a assumir este compromisso educativo na confiança recíproca e no mais amplo respeito dos direitos e das competências específicas em vista a uma completa formação cristã.
Sagrada Congregação para a Educação Católica
WILLIAM Card. BAUM
Prefeito
António M. Javierre
Arcebispo tit. de Meta, Secretário
Maiores detalhes aqui.
1. O desenvolvimento harmônico da personalidade humana revela progressivamente no homem a imagem de filho de Deus. « A verdadeira educação pretende a formação da pessoa humana em ordem ao seu fim último ». Ao falar sobre a educação cristã, o Concílio Vaticano II sublinhou a necessidade de oferecer « uma positiva e prudente educação sexual » às crianças e aos jovens.
A Sagrada Congregação para a Educação Católica, dentro dos limites da sua competência, assim como já fizeram algumas Conferências Episcopais para o seu território, considera um dever dar a sua contribuição para a aplicação da Declaração Conciliar.
2. Este documento, redigido com a ajuda de peritos em problemas educativos e submetido a uma ampla consulta, tem um objetivo preciso: examinar o aspecto pedagógico da educação sexual e indicar algumas orientações para a educação integral do cristão, segundo a vocação de cada um.
Apesar de não fazer a citação explícita todas as vezes, pressupõe sempre os princípios doutrinais e as normas morais da matéria em questão, de acordo com o Magistério da Igreja.
3. A Sagrada Congregação para a Educação Católica está ciente da variedade cultural e social das situações existentes nos diferentes Países. Estas orientações, portanto, deverão ser adaptadas pelos respectivos Episcopados às necessidades Pastorais próprias de cada Igreja local.
SIGNIFICADO DA SEXUALIDADE
4. A sexualidade é uma componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano. Portanto ela é parte integrante do desenvolvimento da personalidade e do seu processo educativo : « Do sexo, de fato, derivam na pessoa humana as características que, no plano biológico e espiritual, a tornam homem ou mulher, condicionando assim e normalmente o caminho do seu desenvolvimento em ordem à maturidade e à sua inserção na sociedade ».
5. A sexualidade caracteriza o homem e a mulher não somente no plano físico, como também no psicológico e espiritual marcando toda a sua expressão. Esta diversidade que tem como fim a complementaridade dos dois sexos, permite responder plenamente ao desígnio de Deus conforme a vocação à qual cada um é chamado.
A genitalidade orientada para a procriação é a expressão máxima, no plano físico, da comunhão de amor dos cônjuges. Fora deste contexto de dom recíproco - realidade que o cristão vive sustentado e enriquecido de maneira particular pela graça de Deus - ela perde o seu sentido, dá lugar ao egoísmo e é uma desordem moral.
6. A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor que é o único a torná-la verdadeiramente humana. Preparada pelo desenvolvimento biológico e psíquico, cresce harmonicamente e realiza-se em sentido pleno somente com a conquista da maturidade afetiva, que se manifesta no amor desinteressado e no total dom de si.
SITUAÇÃO ATUAL
7. Podem-se observar atualmente, mesmo entre os cristãos, notáveis divergências quanto à educação sexual. No clima atual de desorientação moral constituem um perigo, seja o conformismo nocivo, sejam os preconceitos que tendem a falsificar a íntima natureza do ser humano, que saiu íntegra das mãos do Criador.
8. Para reagir a esta situação, é desejada por muitos uma oportuna educação sexual. Se, porém, a convicção da sua necessidade no âmbito teórico é muito difundida, na prática permanecem incertezas e divergências notáveis seja quanto às pessoas e instituições que deveriam assumir a responsabilidade educacional como também em relação ao conteúdo e à metodologia.
9. Os educadores e os próprios pais frequentemente reconhecem não terem a preparação suficiente para realizar uma adequada educação sexual. A escola, nem sempre está à altura de oferecer uma visão integral do assunto. Uma educação sexual completa não pode ficar só na informação científica.
10. As dificuldades para uma educação sexual são maiores nos países onde a urgência do problema ainda não se fez sentir e se pensa que ele se resolve por si sem necessidade de uma educação específica.
11. Em geral é preciso reconhecer que se trata de uma tarefa difícil pela complexidade dos diferentes elementos (fisiológicos, psicológicos, pedagógicos, sócio-culturais, jurídicos, morais e religiosos) que intervêm na ação educativa...
12. Alguns organismos católicos em diferentes lugares, - com a aprovação e o estímulo do Episcopado local - começaram a desenvolver uma positiva atividade de educação sexual; esta tem por finalidade não somente ajudar as crianças e os adolescentes no caminho rumo à maturidade psicológica e espiritual, como também, e sobretudo, precavê-los contra os perigos da ignorância e degradação do ambiente.
13.É também louvável o esforço de todos aqueles que, com seriedade científica, se dedicaram a estudar o problema, a partir das ciências humanas e integrando os resultados de tais pesquisas numa proposta de solução conforme as exigências da dignidade humana como emerge no Evangelho.
DECLARAÇÕES DO MAGISTÉRIO
14. As declarações do Magistério sobre a educação sexual manifestam um progresso que por um lado satisfaz as exigências de uma sociedade nova e por outro se mantém fiel à tradição.
O Concílio Vaticano II na « Declaração sobre a Educação Cristã », apresenta a perspectiva em que a educação sexual deve ser colocada depois de ter confirmado, de fato, o direito da juventude a receber uma educação adequada às exigências pessoais.
O Concílio precisa: « As crianças e os jovens, tendo em conta os progressos da psicologia, pedagogia e didática, sejam ajudados em ordem ao desenvolvimento harmônico das qualidades físicas, morais e intelectuais, na aquisição gradual dum sentido mais perfeito da responsabilidade na própria vida, retamente cultivada com esforço contínuo e levada por diante na verdadeira liberdade, vencendo os obstáculos com magnanimidade e constância. Sejam formados numa educação sexual positiva e prudente, à medida que vão crescendo ».
15. A Constituição Pastoral « Gaudium et spes », quando fala da dignidade do matrimônio e da família, define esta como o lugar preferencial para a educação dos jovens para a castidade. Como, porém, esta é um dos aspectos da educação integral, exige a cooperação dos educadores com os pais no cumprimento da sua missão. Esta educação, portanto, deve ser oferecida às crianças e aos jovens no âmbito da família de maneira gradual e deve ser orientada positivamente para a formação global da pessoa.
16. Na Exortação Apostólica sobre a missão da família cristã no mundo de hoje, João Paulo II, atribui um lugar importante à educação sexual, como um valor da pessoa. « A educação para o amor como dom de si, diz o Santo Padre, constitui também a premissa indispensável para os pais que são chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. Perante uma cultura que 'banaliza' em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de maneira redutiva e empobrecida, relacionando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico, o serviço educativo dos pais deve visar firmemente uma cultura sexual que seja verdadeiramente e plenamente pessoal: A sexualidade, de fato, é uma riqueza de toda a pessoa, - corpo, sensibilidade e alma - e manifesta o seu íntimo significado ao levar a pessoa para o dom de si no amor».
17. O Papa indica, logo a seguir, a escola como responsável desta educação para apoio da ação dos pais e em harmonia com eles. « A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve ser feita sempre sob sua cuidada orientação, seja no próprio lar, como nos centros educacionais por eles escolhidos e controlados. Neste sentido a Igreja reafirma a lei da subsidiariedade que a escola deve observar quando coopera na educação sexual, colocando-se no mesmo espírito que anima os pais ».
18. A fim de que o valor da sexualidade alcance a sua plena realização, « é de todo indispensável a educação para a castidade (...) que torna a pessoa capaz de respeitar e promover o significado esponsal do corpo ». Esta educação consiste no domínio de si, na capacidade de orientar o instinto sexual ao serviço do amor e de integrá-lo no desenvolvimento da pessoa. Fruto da graça de Deus e da nossa colaboração, a castidade leva a integrar harmonicamente as diferentes componentes da pessoa, e a superar a fraqueza da natureza humana, marcada pelo pecado para que cada um possa seguir a vocação a que Deus o chama.
No compromisso de uma iluminada educação para a castidade, «os pais cristãos terão uma particular atenção e cuidado, descobrindo o chamamento de Deus, na educação para a virgindade como forma suprema daquele dom de si que constitui o sentido da sexualidade humana».
19. No ensino de João Paulo II, a consideração de um valor que deve ser descoberto e apreciado antecede a norma que não pode ser violada. A norma, todavia, interpreta e formula os valores para os quais o homem deve tender. «Por causa da íntima dependência - continua o Santo Padre - que existe entre a dimensão sexual da pessoa e seus valores éticos, a tarefa da educação deve levar os filhos a conhecerem e estimarem as normas morais como necessária e preciosa garantia para um responsável crescimento pessoal na sexualidade humana. Por isso a Igreja opõe-se firmemente a uma determinada forma de informação sexual, desligada dos princípios morais, tão frequentemente difundida, a qual nada mais seria do que uma introdução à experiência do prazer e um estímulo que leva a perder a serenidade - ainda nos anos da inocência - abrindo caminho para o vício»
20. Este documento, portanto, partindo da visão cristã do homem e referindo-se aos princípios enunciados recentemente pelo Magistério, deseja apresentar aos educadores algumas orientações fundamentais sobre a educação sexual e sobre as condições e modalidades que devem ser observadas no plano operativo.
I - ALGUNS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
21. Toda a educação se inspira numa específica concepção do homem. A educação cristã tende a favorecer a realização do homem através do desenvolvimento de todo o seu ser, espírito encarnado, e dos dons da natureza e da graça com os quais foi enriquecido por Deus. A educação cristã está radicada na fé que « tudo ilumina com uma nova luz e manifesta as intenções de Deus sobre a vocação integral do homem».
CONCEPÇÃO CRISTÃ DA SEXUALIDADE
22. Na visão cristã do homem, reconhece-se ao corpo uma particular função, porque contribui a revelar o sentido da vida e da vocação humana. A corporeidade é, de fato, o modo específico de existir e de operar próprio do espírito humano. Este significado é, antes de mais, de natureza antropológica: o corpo revela o homem, «exprime a pessoa» e é por isso a primeira mensagem de Deus ao próprio homem, quase uma espécie de «primordial sacramento, entendido como sinal que transmite eficazmente no mundo visível o mistério invisível escondido em Deus desde a eternidade»
23. Há um segundo significado de natureza teologal: o corpo contribui a revelar Deus e o seu amor criador, enquanto manifesta a criaturalidade do homem, a sua dependência de um dom fundamental, que é o dom de amor. «Isto é o corpo: testemunha da criação como de um dom fundamental, portanto testemunha do amor como fonte donde nasceu este mesmo doar »
24. O corpo enquanto sexuado, exprime a vocação do homem à reciprocidade, isto é, ao amor e ao mútuo dom de si. O corpo, enfim, reclama o homem e a mulher à sua constitutiva vocação à fecundidade, como um dos significados fundamentais do seu ser sexuado.
25. A distinção sexual, que aparece como uma determinação do ser humano, é diversidade, mas na igualdade da natureza e da dignidade.
A pessoa humana, pela sua natureza íntima, exige uma relação de alteridade que implica uma reciprocidade de amor. Os sexos são complementares: semelhantes e dissemelhantes ao mesmo tempo; não idênticos mas sim iguais quanto à dignidade da pessoa; semelhantes para se compreenderem, diferentes para se completarem.
26. O homem e a mulher constituem dois modos segundo os quais a criatura humana realiza uma determinada participação do Ser divino : foram criados à «imagem e semelhança de Deus» e realizam completamente tal vocação não só como pessoas singulares, mas também como casal, qual comunidade de amor. Orientados para a união e a fecundidade, o homem e a mulher casados participam do amor criador de Deus, vivendo a comunhão com Ele através do outro.
27. A presença do pecado obscurece a inocência original, torna menos fácil ao homem a percepção destas mensagens : a sua decifração tornou-se assim uma tarefa ética, objeto duma difícil obrigação, confiada ao homem : «O homem e a mulher depois do pecado original perderam a graça da inocência original. A descoberta do significado esponsal do corpo deixará de ser para eles uma simples realidade da revelação e da graça. Todavia tal significado permanecerá como obrigação dada ao homem pelo ethos do dom, inscrito no profundo do coração humano, como longínquo eco da inocência original ».
Frente a esta capacidade do corpo de ser ao mesmo tempo sinal e instrumento de uma vocação ética, pode-se descobrir uma analogia entre o mesmo corpo e a economia sacramental, que é a via concreta através da qual a graça e a salvação chegam ao homem.
28. A inclinação do homem « histórico » a reduzir a sexualidade unicamente à experiência genital, explica a existência de reações tendentes a desvalorizar o sexo, como se por sua natureza fosse indigno do homem. As presentes orientações entendem opor-se a tal desvalorização.
29. «Somente no Mistério do Verbo Encarnado encontra verdadeira luz o mistério do homem » e a existência humana adquire o seu pleno significado na vocação à vida divina. Só seguindo Cristo, o homem responde a esta vocação e se torna plenamente homem, crescendo até atingir « o homem perfeito, na medida que convém à plena maturidade de Cristo ».
30. À luz do mistério de Cristo, a sexualidade aparece-nos como vocação a realizar aquela caridade que o Espírito Santo infunde no coração dos redimidos. Jesus Cristo sublimou tal vocação com o Sacramento do matrimônio.
31. Jesus indicou, além de mais, com o exemplo e a palavra, a vocação à virgindade por causa do reino dos céus. A virgindade é vocação ao amor : torna o coração mais livre para amar Deus. O coração virgem não está condicionado pelos compromissos requeridos pelo amor nupcial, pode, portanto, ser mais disponível para o amor gratuito dos irmãos.
A virgindade pelo reino dos céus, por consequência, exprime melhor a doação de Cristo ao Pai pelos irmãos e melhor prefigura a realidade da vida eterna, toda substanciada de caridade.
A virgindade implica certamente renúncia à forma de amor típica do matrimônio. Assume porém, a nível mais profundo, o dinamismo; inerente à sexualidade, de abertura oblativa aos outros, potenciado e transfigurado pela presença do Espírito que nos ensina a amar o Pai e os irmãos como o fez o Senhor Jesus.
32. Em síntese a sexualidade é chamada a exprimir valores diversos a que correspondem exigências morais específicas : orientada para o diálogo interpessoal contribui para a maturidade integral do homem abrindo-o ao dom de si no amor; ligada, além de mais, na ordem da criação, à fecundidade e à transmissão da vida, é chamada a ser fiel também a esta sua interna finalidade. Amor e fecundidade são todavia significados e valores da sexualidade que se incluem e reclamam mutuamente e não podem portanto ser considerados nem alternativos nem opostos.
33. A vida afetiva, própria de cada sexo, exprime-se de modo característico nos diversos estados de vida: a união dos cônjuges, o celibato consagrado escolhido pelo Reino, a condição do cristão que não atingiu ainda o momento do compromisso matrimonial ou porque permaneceu solteiro, ou porque escolheu permanecer assim. Em todos os casos esta vida afetiva deve ser acolhida e integrada na pessoa humana.
NATUREZA, FINALIDADE E MEIOS DA EDUCAÇÃO SEXUAL
34 Objetivo fundamental desta educação é um conhecimento adequado da natureza e da importância da sexualidade e do desenvolvimento harmônico e integral da pessoa em ordem ao seu amadurecimento psicológico tendo em vista a plena maturidade espiritual, para a qual todos os crentes são chamados.
Para este fim o educador cristão recordará os princípios de fé e os diferentes métodos de intervenção, tendo em conta a valorização positiva que a pedagogia atual faz acerca da sexualidade.
35. Na perspectiva antropológica cristã a educação afetivo-sexual deve considerar a totalidade da pessoa e exigir, portanto, a integração dos elementos biológicos, psico-afetivos, sociais e espirituais. Esta integração tornou-se mais difícil, porque também o crente leva consigo as consequências do pecado de origem. Uma verdadeira « formação », não se limita à informação da inteligência; deve dar particular atenção à educação da vontade, dos sentimentos e das emoções. De fato, para encaminhar à maturidade da vida afetivo-sexual é necessário o domínio de si, o qual pressupõe virtudes como o pudor, a temperança, o respeito de si e dos outros, a abertura , ao próximo.
Tudo isso não é possível se não em virtude de uma salvação que vem de Jesus Cristo.
36. Mesmo que sejam dìferentes as modalidades que a sexualidade assume em cada pessoa, a educação deve promover, antes de mais nada, aquela maturidade que « comporta não somente a aceitação do valor sexual integrado no conjunto dos valores, como também a potencialidade oblativa, isto é, a capacidade de doação, de amor altruístico. Quando esta capacidade se realiza em medida adequada, a pessoa torna-se idônea para estabelecer contatos espontâneos, para se dominar emocionalmente e para se empenhar seriamente».
37. A pedagogia contemporânea de inspiração cristã vê no educando, considerado na sua totalidade e complexidade, o principal sujeito da educação. Ele deve ser ajudado, especialmente numa relação de confiança, a desenvolver as suas capacidades para o bem. Com muita facilidade isto se esquece, quando é dada demasiada importância à simples informação com prejuízo das outras dimensões da educação sexual. Na educação, de fato, goza da máxima importância o conhecimento de novos conceitos, vivificado, porém, pela assimilação dos valores correspondentes e por uma viva tomada de consciência das responsabilidades pessoais relacionadas com a idade adulta.
38. Dada a repercussão da sexualidade na totalidade da pessoa, é necessário ter presentes múltiplos aspectos: as condições de saúde, as influências do ambiente familiar e social, as impressões recebidas e as respectivas reações, a educação da vontade e o grau de desenvolvimento espiritual estimulado pela vida da graça.
39. Tudo o que foi exposto até agora, serve aos educadores como ajuda e guia para a formação da personalidade dos jovens. Estes devem ser estimulados para uma reflexão crítica acerca das impressões recebidas, e ao mesmo tempo que o educador lhes propõe os valores, deve dar testemunho de uma vida espiritual autêntica, tanto pessoal como comunitária.
40. Considerados os íntimos laços existentes entre a moral e a sexualidade, é necessário que o conhecimento das normas morais seja acompanhado por claras motivações, de maneira a fazer amadurecer uma sincera adesão pessoal.
41. A pedagogia contemporânea tem plena consciência do fato de que a vida humana é assinalada por uma evolução constante e de que a formação pessoal é um processo permanente. Isto é também verdade para a sexualidade que se exprime com características particulares nas diferentes fases da vida. Ela, evidentemente traz consigo riquezas e várias dificuldades a cada etapa do seu amadurecimento.
42. Os educadores deverão ter presente as etapas fundamentais de tal evolução; o instinto primitivo, que no começo se manifesta no estado rudimentar, encontra, em seguida, a ambivalência do bem e do mal. Com a ajuda da educação, os sentimentos estabilizam-se e ao mesmo tempo aumenta o sentido da responsabilidade. Gradualmente o egoísmo é eliminado, estabelece-se um certo ascetismo, o outro é aceito e amado em si mesmo; integram-se os elementos da sexualidade: genitalidade, erotismo, amor e caridade. Ainda que nem sempre se consegue um resultado absoluto, são mais numerosos do que se pensa, os casos daqueles que se aproximam da meta a que aspiram.
43. Os educadores cristãos devem estar convencidos de que a educação sexual se realiza plenamente no âmbito da fé. Incorporado pelo Batismo em Cristo ressuscitado, o cristão sabe que também o seu corpo foi vivificado e purificado pelo Espírito que Jesus lhe comunica.
A fé no mistério de Cristo ressuscitado, que pelo seu Espírito atua e prolonga nos fiéis o mistério da ressurreição, descobre ao crente a vocação para a ressurreição da carne, já iniciada graças ao Espírito que habita no justo como penhor e princípio da ressurreição total e definitiva.
44. A desordem provocada pelo pecado, presente e operante no indivíduo como também na cultura que caracteriza a sociedade, exerce um forte impulso para levar a conceber e viver a sexualidade de maneira oposta à lei de Cristo, conforme aquela que São Paulo chamou a lei do pecado. Às vezes as estruturas econômicas, as leis do estado, os mass- média, os sistemas de vida das grandes metrópoles, são fatores que incidem negativamente no homem. Disto a educação cristã toma consciência e indica as orientações para se opor responsavelmente a tais estímulos.
45. Este esforço constante é sustentado e torna-se possível pela graça divina mediante a palavra de Deus acolhida com fé, a oração filial e a participação nos Sacramentos. Em primeiro lugar está a Eucaristia, comunhão com Cristo no próprio ato do seu sacrifício, onde efetivamente o jovem que crê, encontra o pão da vida como « viático » para afrontar e superar os obstáculos durante o seu peregrinar terreno. O Sacramento da Reconciliação, através da graça que lhe é própria e a ajuda da direção espiritual, não só reforça a capacidade de resistência ao mal, como dá coragem para recomeçar de novo depois de uma queda.
Estes sacramentos são oferecidos e celebrados na comunidade eclesial. Aquele que participa na vida desta comunidade, recebe dos sacramentos a força para realizar, no seu estado, uma vida casta.
46. A oração pessoal e comunitária é o meio insubstituível para conseguir de Deus a força necessária para manter fidelidade aos compromissos batismais, para resistir aos impulsos da natureza humana ferida pelo pecado e para equilibrar as emoções provocadas pelas influências negativas do ambiente.
O espírito de oração ajuda a viver com coerência a prática dos valores evangélicos de lealdade e sinceridade de coração, de pobreza e humildade, no esforço diário de trabalho e de compromisso para com o próximo. A vida interior leva à alegria cristã que vence, para além de todo o moralismo e ajuda psicológica, a luta contra o mal. Através do contato frequente e íntimo com o Senhor, todos, e os jovens de maneira particular, conseguirão a força e o entusiasmo para uma vida pura e realizarão a sua vocação humana e cristã num sereno domínio de si e numa doação generosa aos outros.
A importância destas considerações não pode escapar a ninguém. Hoje, de fato, muitas pessoas, implícita ou explicitamente, têm uma atitude pessimista acerca da capacidade da natureza humana para assumir um compromisso definitivo para toda a vida, especialmente no matrimônio. A educação cristã deve reforçar a confiança dos jovens de modo que a sua compreensão e preparação sobre um compromisso para toda a vida seja acompanhada com a certeza de que Deus os ajuda com a sua graça a fim de que cada um possa levar a cabo o desígnio que Deus tem sobre ele.
47. A imitação e união com Cristo, que os santos viveram e nos transmitiram, são as motivações mais profundas para a nossa esperança de realizar o alto ideal de vida casta, que não é possível alcançar só com forças humanas.
A Virgem Maria, exemplo supremo de vida cristã. A Igreja, com séculos de experiência, está convencida que os fiéis, especialmente os jovens com devoção à Virgem, souberam realizar este ideal.
II. RESPONSABILIDADE NA ATUAÇÃO DA EDUCAÇÃO SEXUAL
FUNÇÃO DA FAMÍLIA
48. A educação é dever sobretudo da família que «é uma um escola do mais rico humanismo».
A família, de fato é o melhor ambiente para cumprir a obrigação de garantir uma gradual educação da vida sexual. Ela tem uma carga afetiva capaz de fazer aceitar sem traumas mesmo as realidades mais delicadas e a integrá-las harmonicamente numa personalidade equilibrada e rica.
49. O afeto e a confiança recíproca que se vivem na família são necessários ao desenvolvimento harmônico e equilibrado da criança desde o seu nascimento. Para que os laços afetivos naturais que unem os pais aos filhos sejam positivos no grau máximo, os pais sob a base de um sereno equilíbrio sexual, instaurem uma relação de confiança e de diálogo com os filhos, adequada à idade e desenvolvimento deles.
50. Para poder dar aos filhos orientações eficazes necessárias para resolver os problemas do momento, antes mesmo dos conhecimentos teóricos, os adultos sejam exemplo com o seu comportamento. Os pais cristãos devem ser conscientes de que o seu exemplo representa a contribuição mais válida na educação dos filhos. Estes, por sua vez, poderão alcançar a certeza que o ideal cristão é uma realidade vivida no seio da própria família.
51. A abertura e a colaboração dos pais com os outros educadores corresponsáveis pela formação influirão positivamente no amadurecimento do jovem. A preparação teórica e a experiência dos pais ajudarão os filhos a compreender o valor e a função própria das realidades de homem e de mulher.
52. A plena realização da vida conjugal, e consequentemente, a estabilidade e santidade da família, dependem da formação da consciência e dos valores assimilados durante o processo formativo dos próprios genitores. Os valores morais vividos na família são mais facilmente transmitidos aos filhos.
Entre estes valores morais têm grande relevo o respeito pela vida no seio materno e, em geral, o respeito da pessoa humana, de qualquer estado e condição. Os jovens devem ser ajudados a fim de conhecerem, apreciarem, e respeitarem estes valores fundamentais da existência.
Dada a sua importância para a vida cristã, como também na perspectiva de um chamamento divino ao sacerdócio ou à vida consagrada, a educação sexual adquire uma dimensão eclesial.
A COMUNIDADE ECLESIAL
53. A Igreja, mãe dos fiéis por ela gerados para a fé no Batismo, tem uma missão educativa confiada por Cristo, que se realiza especialmente pelo anúncio, pela plena comunhão com Deus e com os irmãos, pela participação consciente e ativa na liturgia Eucarística e pela atividade apostólica. A comunidade eclesial constitui-se, desde o desabrochar da vida, num ambiente que torna possível a assimilação da ética cristã na qual os fieis aprendem a testemunhar a Boa Nova.
54. As dificuldades que a educação sexual frequentemente encontra no seio da família, exigem um maior compromisso da comunidade cristã e, em particular, dos sacerdotes, para colaborar na educação dos batizados. Neste campo são chamados a cooperar com a família a escola católica, a paróquia e outras instituições eclesiais.
55. Do caráter eclesial da fé segue-se a corresponsabilidade da comunidade cristã para ajudar os batizados a viver com coerência e convicção os compromissos assumidos no Batismo. É tarefa dos Bispos propor normas e orientações adaptadas às necessidades de cada igreja.
CATEQUESE E EDUCAÇÃO SEXUAL
56. A catequese é chamada a ser terra fecunda na renovação de toda a comunidade eclesial. Assim, para levar os fiéis à maturidade da fé ela deve apresentar os valores positivos da sexualidade, integrando-os com os da virgindade e do matrimônio, à luz do Mistério de Cristo e da Igreja.
Esta catequese deveria salientar que a primeira vocação a do cristão é o amor, e que a vocação ao amor é realizada por dois caminhos diferentes: no matrimônio ou numa vida celibatária por amor do Reino. «O matrimônio e a virgindade são as duas maneiras de manifestar e de viver o único mistério da Aliança de Deus com o seu povo».
57. A fim de que as famílias tenham a certeza de que a catequese não se afasta do Magistério da Igreja, os Pastores empenhem-se na escolha e preparação das pessoas responsáveis, assim como na determinação dos conteúdos e dos métodos.
58. Permanece em seu pleno valor, a norma indicada no n° 48, de que, no concernente aos aspectos mais íntimos, biológicos e afetivos, dever-se-á privilegiar a educação individual, e de preferência no âmbito da família.
Mantendo-se firme o princípio que, a catequese realizada no seio da familia constitui uma forma privilegiada, se nalguma circunstância os pais não se consideram aptos a cumprir esta tarefa, podem pedir a colaboração de outros que gozem da sua confiança. Uma iniciativa sábia, prudente e adaptada à idade e ao ambiente pode evitar traumas à crianças e tornar para elas mais fácil a solução dos problemas sexuais. De qualquer modo não bastam as lições formais. Para uma verdadeira integração é necessário aproveitar as múltiplas ocasiões da vida cotidiana.
CATEQUESE PRÉ-MATRIMONIAL
60. Um aspecto fundamental da preparação dos jovens para o matrimônio consiste em proporcionar-lhes uma exata visão da ética cristã sobre a sexualidade. A catequese oferece a vantagem de situar-se na perspectiva imediata do matrimônio. Porém, para conseguir plenamente o seu objetivo, a catequese deve ser continuada convenientemente de modo a tornar-se um verdadeiro catecumenato. Além disso, tende a manter e robustecer a castidade própria dos namorados, a prepará-los para a vida conjugal, vivida cristamente, e para a missão específica que os cônjuges têm no meio do Povo de Deus.
61. Os futuros esposos devem conhecer o significado profundo do matrimônio, entendido como união de amor para a realização do casal e para a procriação. A estabilidade do matrimônio e do amor conjugal exige, como condição indispensável, a castidade e o domínio de si, a formação do caráter e o espírito de sacrifício. Com referência a algumas dificuldades da vida conjugal, que se tornaram mais agudas nas condições do nosso tempo, a castidade juvenil, como adequada preparação para a castidade matrimonial, será de valiosa ajuda para os casais. Eles terão necessidade além disso, de serem iluminados sobre a lei divina, necessária à formação das suas consciências, e declarada pelo Magistério da Igreja.
62. Instruídos acerca do valor e da grandeza do sacramento do matrimônio, que especifica para eles a graça e a vocação do batismo, os esposos cristãos saberão viver conscientemente os valores e os compromissos específicos da sua vida moral como exigência e fruto da graça e da ação do Espírito, «fortalecidos e como que consagrados por especial sacramento para os deveres e a dignidade do seu estado».
Além disso, a fim de viver a sua sexualidade e cumprir as responsabilidades de acordo com o projeto de Deus é importante que os esposos tenham um verdadeiro conhecimento dos métodos naturais para regular a sua fertilidade. Como disse João Paulo II « ... é preciso fazer todo o esforço para que tal conhecimento se torne acessível a todos os cônjuges e, antes ainda aos jovens, através de uma informação e de uma educação claras, apropriadas e sérias, com a ajuda de casais, de médicos e de peritos». É de notar que o uso dos contraceptivos, insistentemente propagados nos nossos dias, contrasta com estes ideais cristãos e estas normas morais das quais a Igreja é Mestra.
Tal fato torna ainda mais urgente a necessidade de que sejam transmitidos aos jovens, na idade oportuna, os ensinamentos da Igreja sobre o uso dos contraceptivos artificiais, explicando-lhes também os motivos de tais ensinamentos, para que se preparem a viver o seu matrimônio responsavelmente, pleno de amor e aberto à vida.
ORIENTAÇÕES PARA OS ADULTOS EDUCADORES
63. Uma sólida preparação catequética dos adultos, sobre o amor humano, é a base para a educação sexual das crianças. Este é o meio que assegura a aquisição da maturidade humana iluminada pela fé, que será decisiva para o diálogo que os adultos estão chamados a estabelecer com as novas gerações. Além das indicações que se referem aos métodos que devem ser usados, a catequese favorecerá uma oportuna troca de idéias sobre os problemas particulares, dará a conhecer melhor o material a utilizar e proporcionará eventuais encontros com peritos, cuja colaboração será particularmente útil nos casos difíceis.
TAREFA DA SOCIEDADE CIVIL
64. A pessoa deveria encontrar na sociedade já manifestos e vividos os valores que exercem influência, não de forma secundária, no processo formativo. Será, portanto, tarefa da sociedade civil, por ser expressão do bem comum, vigiar para que seja assegurado um saudável ambiente físico e moral nas escolas e para que sejam favorecidas as condições que correspondam às positivas exigências dos pais ou que recebam a sua livre adesão.
65. É tarefa do Estado defender os cidadãos das injustiças das desordens morais como o abuso dos menores e toda a forma de violência sexual, a degradação dos costumes, a permissividade e a pornografia, a manipulação das informações demográficas.
RESPONSABILIDADE NA EDUCAÇÃO PARA O USO DOS INSTRUMENTOS DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
66. No mundo atual os instrumentos da comunicação social, com seu poder de penetração e sugestão, realizam sobre os jovens e os adolescentes, sobretudo no campo da educação sexual, uma contínua e condicionante atividade de informação e de ensino muito mais incisiva do que a da família.
João Paulo II indicava a situação na qual se encontram as crianças perante os instrumentos da comunicação social: «Conquistados e sem defesa perante o mundo e as pessoas adultas, as crianças estão naturalmente dispostas a aceitar tudo o que lhes é oferecido, tanto no bem como no mal ... Elas são atraídas pelo «pequeno ecran» seguem todos os gestos que são apresentados e percebem antes e melhor que qualquer outra pessoa, as emoções e os sentimentos que deles provêm.
67. É preciso salientar, porém, que por causa da mesma evolução tecnológica se torna menos fácil e eficaz o necessário controle. Daqui a urgência também para uma reta educação sexual, que «os destinatários sobretudo os jovens, procurem acostumar-se a ser moderados e disciplinados no uso destes instrumentos; ponham, além disso, empenho em entenderem bem o que ouvem, lêem e vêem; dialoguem com educadores e peritos na matéria e aprendam a formar um reto juízo».
68. Para a defesa dos direitos da criança neste campo João Paulo II estimula a consciência de todos os cristãos responsáveis, em particular os pais e e responsáveis dos instrumentos de comunicação social, para que não escondam, sob um pretexto de neutralidade e de respeito pelo espontâneo desenvolvimento da criança, o que na realidade é um comportamento de preocupante desinteresse.
«Neste setor incumbem, também à autoridade civil, especiais deveres que têm o seu fundamento na tutela do bem comum», o qual exige que um estatuto jurídico sobre os instrumentos da comunicação social proteja a moralidade pública, de modo particular o mundo da juventude, especialmente no que diz respeito às revistas, aos filmes, aos programas de rádio e de televisão; às exposições, aos espetáculos e à publicidade.
TAREFA DA ESCOLA EM RELAÇÃO À EDUCAÇÃO SEXUAL
69. Mantendo-se tudo o que foi dito sobre o dever primário da família, a função da escola é de assistência e complementaridade à tarefa dos pais, oferecendo às crianças e aos adolescentes uma apreciação da «sexualidade como valor e tarefa de toda e pessoa criada, homem e mulher, à imagem de Deus».
70.O diálogo interpessoal exigido na educação sexual, tende a suscitar no educando uma disposição interior capaz de motivar e guiar o comportamento da pessoa. Ora, tal atitude está intimamente unida aos valores inspirados pela concepção da vida. A educação sexual não se pode reduzir à simples matéria de ensino ou só de conhecimentos teóricos, não consiste num programa a ser transmitido progressivamente, mas é um objetivo específico a atingir: aquela maturação afetiva do aluno, o domínio de si e o reto comportamento nas relações sociais.
71. A escola pode contribuir para a realização deste objetivo de diferentes modos. Todas as matérias podem oferecer a oportunidade para tratar temas relativos à sexualidade; o professor fará isso sempre de maneira positiva e com grande delicadeza, discernindo no concreto sobre a oportunidade e o modo.
A educação sexual individual conserva sempre valor prioritário e não pode ser confiada indistintamente a qualquer membro da comunidade escolar. De fato, como se especificará a seguir, além do juízo reto, sentido de responsabilidade, competência profissional, maturidade afetiva e pudor, esta educação exige da parte do educador especial sensibilidade para iniciar a criança e o adolescente nos problemas do amor e da vida sem perturbar o seu desenvolvimento psicológico.
72. Mesmo que o educador possua as qualidades necessárias para uma educação sexual em grupos, é preciso levar em consideração sempre a situação concreta do próprio grupo. Isto vale sobretudo no caso de grupos mistos para os quais são exigidas especiais precauções. De qualquer maneira, as autoridades responsáveis devem examinar juntamente com os pais a oportunidade de proceder de tal forma. Dada a complexidade do problema, é bom oferecer ao educando alguma ocasião para contatos pessoais de maneira a proporcionar-lhe um ambiente que favoreça o pedido de conselhos ou esclarecimentos que, por um natural sentido de pudor, não facilitaria ao adolescente manifestar-se diante dos outros. Só uma íntima colaboração entre a escola e a família poderá garantir uma proveitosa troca de experiências entre pais e professores para o bem dos alunos. Tendo em conta as legislações das escolas e as circunstâncias locais, cabe aos Bispos dar as indicações acerca da educação sexual em grupos, sobretudo quando são mistos.
73. Pode, às vezes, suceder que acontecimentos particulares da vida escolar exijam uma intervenção oportuna. Neste caso, as autoridades da escola, coerentes com o princípio de colaboração, contactarão os pais para decidir acerca da solução mais oportuna. Poder-se-à convidar pessoas, particularmente indicadas pela competência e equilíbrio e que gozem da confiança dos pais, para dialogar em privado com cada aluno para ajudá-lo a desenvolver o seu amadurecimento afetivo e a organizar de maneira equilibrada as suas relações. Tais intervenções de orientação pessoal impõem-se em particular nos casos mais difíceis, a não ser que a gravidade da situação imponha a necessidade de recorrer ao especialista na matéria.
75. A formação e o desenvolvimento de uma personalidade harmônica exigem uma atmosfera serena, fruto do entendimento, recíproca confiança e colaboração entre os responsáveis. Isto consegue-se com o respeito mútuo da competência específica dos diversos agentes da educação, das particulares atribuições, das respectivas responsabilidades e da escolha dos meios diferenciados que estão à sua disposição.
MATERIAL DIDÁTICO APROPRIADO
76. Para oferecer uma educação sexual correta, pode ajudar um material didático apropriado. A elaboração deste material será uma tarefa constante para a qual se deve pedir a colaboração de especialistas em teologia moral e pastoral, de catequistas, de pedagogos e psicólogos católicos. O mesmo se diga no que se refere ao material destinado ao uso imediato pelos alunos.
Alguns livros escolares sobre a sexualidade, por causa do seu caráter naturalista, são nocivos tanto para a criança, como para o adolescente. Ainda mais nocivo é o material gráfico e audio-visual, quando apresenta cruamente realidades sexuais para as quais o aluno não está preparado, e desta forma provoca nele impressões traumáticas ou desperta inconvenientes curiosidades que o levam ao mal. Os educadores pensem seriamente sobre o dano grave que pode causar aos alunos uma atitude irresponsável num assunto tão delicado.
GRUPOS JUVENIS
77 .Existe na educação um fator que não se deve esquecer e que se conjuga com a atividade da família e da escola e frequentemente tem um influxo ainda maior na formação da pessoa: são grupos juvenis que se constituem nas atividades do tempo livre, as quais empenham intensamente a vida do adolescente e do jovem. As ciências humanas consideram os «grupos» como condição positiva para a formação, porque não é possível o amadurecimento da personalidade sem eficazes relações interpessoais.
III. CONDIÇÕES E MODALIDADES DA EDUCAÇÃO SEXUAL
78. A complexidade e a delicadeza desta tarefa exige uma esmerada preparação dos educadores, qualidades específicas para a ação educativa, e uma particular atenção para precisar os objetivos.
PREPARAÇÃO DOS EDUCADORES
79. A personalidade amadurecida dos educadores, a sua preparação e equilíbrio psíquico influem profundamente nos educandos. Uma exata e completa visão do sentido e do valor da sexualidade e uma serena integração da mesma na própria personalidade são indispensáveis para os educadores a favor de uma construtiva ação educativa. A sua capacidade não é tanto fruto de conhecimentos teóricos, mas sobretudo resultado de uma maturidade afetiva. Isto todavia não o dispensa de adquirir os conhecimentos científicos úteis à sua tarefa educativa, particularmente árdua nos nossos tempos. Os encontros com famílias poderão ser de grande ajuda.
80. As disposições que devem caracterizar o educador são o resultado de uma formação geral; baseada sobre uma concepção positiva e construtiva da vida e sobre o esforço constante para realizá-la. Uma tal formação vai mesmo além da necessária preparação profissional e atinge os aspectos mais íntimos da personalidade, incluindo o religioso e o espiritual. Este último será a garantia de uma procura seja dos princípios cristãos seja dos meios sobrenaturais que devem sustentar as intervenções educativas.
81. O educador que desenvolve a sua tarefa fora do ambiente familiar, precisa de uma preparação psico-pedagógica apropriada e séria, que lhe permita perceber situações particulares que exijam uma atenção especial. Será assim capaz de aconselhar os próprios pais, especialmente quando o rapaz ou a jovem precisam do psicólogo.
82. Além dos indivíduos normais e dos casos patológicos, existe uma vasta gama de indivíduos com problemas menos agudos e persistentes, que correm o risco de passarem sem os cuidados necessários apesar de precisarem verdadeiramente de ajuda. Nestes casos, mais do que uma terapia a nível médico, trata-se de um constante trabalho de apoio e de orientação por parte dos educadores.
QUALIDADES DOS MÉTODOS EDUCATIVOS
83. Torna-se necessária uma visão clara da situação, porque o método usado não somente condiciona grandemente o sucesso desta delicada educação, como também a colaboração entre os diferentes responsáveis. Na realidade as críticas, que normalmente se fazem, referem-se mais aos métodos usados por alguns educadores do que ao fato da sua intervenção. Estes métodos devem ter qualidades precisas, tanto no que se refere ao sujeito como aos próprios educadores e à finalidade que tal educação se propõe.
EXIGÊNCIAS DO SUJEITO E INTERVENÇÃO EDUCATIVA
84. A educação afetivo-sexual, sendo mais condicionada do que outras por causa do grau do desenvolvimento físico e psicológico do educando, deve sempre ser adaptada ao indivíduo. Em certos casos é necessário prevenir o sujeito preparando-o para situações particularmente difíceis, quando se prevê que deverá enfrentá-las, ou alertando-o contra os perigos iminentes ou constantes.
85. É necessário, porém, respeitar o caráter progressivo desta educação. Uma correta gradualidade das intervenções deve estar atenta aos momentos do desenvolvimento físico e psicológico que exigem uma preparação mais cuidada e um tempo de amadurecimento prolongado. É preciso ter a certeza de que o educando tenha assimilado os valores, os conhecimentos e as motivações que lhe foram propostos ou as mudanças e as evoluções que pode observar em si mesmo e dos quais o educador indica oportunamente as causas, as relações e a finalidade.
QUALIDADE DAS INTERVENÇÕES EDUCATIVAS
86. Para oferecer uma valiosa contribuição ao desenvolvimento harmônico e equilibrado dos jovens, os educadores devem planear as suas intervenções conforme a tarefa específica que exercem. O sujeito não percebe, nem aceita da mesma maneira, por parte dos diversos educadores, as informações e as motivações que lhe são oferecidas, porque atingem de maneira diferente a sua intimidade. Objetividade e prudência devem caracterizar estas intervenções.
87. A informação progressiva exige uma explicação parcial mas sempre conforme à verdade. As explicações não devem ser deformadas por reticências ou por falta de naturalidade. A prudência porém exige do educador não somente uma oportuna adaptação do assunto às exigências do sujeito, como também a escolha da linguagem, da maneira e do momento para intervir. A prudência exige que se tenha em conta o pudor da criança. O educador lembre além disso a influência dos pais: a sua preocupação para esta dimensão da educação, o caráter peculiar da educação familiar, sua concepção da vida, o grau de abertura para os outros ambientes educativos.
88. Deve-se insistir, antes de mais, sobre os valores humanos e cristãos da sexualidade para torná-los estimados e para suscitar o desejo de realizá-los na vida pessoal e nas relações com os outros. Sem menosprezar as dificuldades que o desenvolvimento sexual comporta, e também sem criar um estado obsessivo, o educador tenha confiança na ação educativa: ela pode encontrar apoio na ressonância que os valores verdadeiros encontram nos jovens, quando são apresentados com convicção e confirmados pelo testemunho da vida.
89. Dada a importância da educação sexual na formação integral da pessoa, os educadores, tendo em conta os diferentes aspectos da sexualidade e sua incidência na personalidade global, ponham todo o empenho especialmente em não separar os conhecimentos dos valores correspondentes que dão um sentido e uma orientação às informações biológicas, psicológicas e sociais. Quando, portanto, apresentam as normas morais, é necessário que expliquem onde encontram a sua razão de ser e os valores que comportam.
EDUCAÇÃO PARA O PUDOR E A AMIZADE
90. O pudor, componente fundamental da personalidade, pode ser considerado - no plano educativo - como consciência vigilante que defende a dignidade do homem e o amor autêntico. Isto tende a reagir contra determinadas atitudes e a refrear comportamentos que ofuscam a dignidade da pessoa. É um meio necessário e eficaz para dominar os instintos, para fazer brotar o amor autêntico, para integrar a vida afetivo-sexual dentro de uma certa harmonia da pessoa. O pudor tem um grande alcance pedagógico e deve, por isso, ser valorizado. Crianças e jovens aprenderão, assim, a respeitar o seu corpo como dom de Deus, membro de Cristo e templo do Espírito Santo; aprenderão a resistir ao mal que os envolve, a ter um olhar e uma imaginação límpida, a procurar expressar no encontro afetivo com as pessoas um amor verdadeiramente humano com todas as suas componentes espirituais.
91. Para esta finalidade sejam-lhes apresentados modelos concretos e atraentes, desenvolva-se o sentido da virtude estético, inspirando neles o gosto do belo presente na natureza, na arte e na vida moral; sejam educados os jovens a assimilar um sistema de valores sensíveis e espirituais num impulso desinteressado de fé e de amor.
92. A amizade é o ápice da maturidade afetiva e se diferencia da simples camaradagem pela sua dimensão interior, por uma comunicação que permite e favorece a verdadeira comunhão, pela recíproca generosidade e a estabilidade. A educação para a amizade pode tornar-se um fator de extraordinária importância para a construção da personalidade na sua dimensão individual e social.
93. Os vínculos de amizade que unem os jovens dos diferentes sexos, contribuem para a compreensão e a estima recíproca, quando eles se conservam nos limites de normais expressões afetivas. Se, pelo contrário, se tornam ou tendem a tornar-se manifestações de tipo genital, eles perdem o autêntico sentido de amizade amadurecida, prejudicando os aspectos relacionais em ato e as perspectivas futuras em referência a um eventual matrimônio, tornam-se menos atentos a um possível chamamento para a vida consagrada.
IV. ALGUNS PROBLEMAS PARTICULARES
O educador poderá encontrar-se, no cumprimento da sua missão, perante alguns problemas particulares acerca dos quais se julga oportuno demorar.
94. A educação sexual deve levar os jovens a tomar consciência das diferentes expressões e dos dinamismos da sexualidade, dos valores humanos que devem ser respeitados. O verdadeiro amor é capacidade de abertura ao próximo numa ajuda generosa, é dedicação ao outro para o bem dele; sabe respeitar a personalidade e a liberdade do outro; não é egoísta, não se procura a si próprio no outro, é oblativo, não possessivo. O instinto sexual, ao contrário, se entregue a si próprio, reduz-se à genitalidade e tende a dominar o outro, procurando imediatamente uma satisfação pessoal.
95. As relações íntimas devem-se realizar somente no quadro do matrimônio, porque só então se verifica o nexo inseparável, querido por Deus, entre o significado unitivo e o significado procriativo de tais relações, colocadas na função de conservar, confirmar e expressar uma definitiva comunhão de vida - «uma só carne» - mediante a realização de um amor «humano», «total», «fiel», «fecundo», isto é o amor conjugal. Por isso as relações sexuais fora do contexto matrimonial constituem uma desordem grave, porque são expressão reservada a uma realidade que ainda não existe; são uma linguagem que não encontra correspondência na realidade da vida das duas pessoas, ainda não constituídas em comunidade definitiva com o necessário reconhecimento e garantia da sociedade civil e, para os cônjuges católicos, também religiosa.
96. Estão-se difundindo cada vez mais entre os adolescentes e os jovens certas manifestações de tipo sexual que por si se dirigem à relação completa sem, porém chegar à sua realização; manifestações da genitalidade que são uma desordem moral, porque se dão fora de um contexto matrimonial.
97. A educação sexual ajudará os adolescentes a descobrir os valores profundos do amor e a entender os danos que tais manifestações trazem para o seu amadurecimento afetivo, por quanto levam a um encontro não pessoal, mas instintivo, frequentemente enfraquecido por reservas e cálculos egoísticos, sem, portanto, o caráter de uma verdadeira relação pessoal e, menos ainda, definitiva. Uma autêntica educação levará os jovens para a maturidade e o domínio de si, frutos de uma escolha consciente e de um esforço pessoal.
98. É finalidade de uma autêntica educação sexual favorecer um progresso contínuo no domínio dos impulsos; para se abrir, no tempo oportuno, a um amor verdadeiro e oblativo. Um problema particularmente complexo e delicado que se pode apresentar, é o da masturbação e das suas repercussões no crescimento integral da pessoa. A masturbação, conforme a doutrina católica constitui, uma grave desordem moral, principalmente porque é uso da faculdade sexual numa maneira que contradiz essencialmente a sua finalidade, não estando ao serviço do amor e da vida conforme o plano de Deus.
99. Um educador e conselheiro perspicaz deve esforçar-se por individuar as causas do desvio, para ajudar o adolescente a superar a imaturidade que está por baixo deste hábito. Do ponto de vista educativo, é preciso lembrar que a masturbação e outras formas de auto-erotismo, são sintomas de problemas muito mais profundos, os quais provocam uma tensão sexual que o sujeito procura superar recorrendo a tal comportamento. Este fato exige também a necessidade de que a ação pedagógica seja orientada mais para as causas do que para a repressão direta do fenômeno.
Mesmo tendo em consideração a gravidade objetiva da masturbação, use-se da cautela necessária na apreciação da responsabilidade subjetiva.
100. Para ajudar o adolescente a sentir-se acolhido numa comunhão de caridade e arrancado da cela do próprio eu, o educador «deverá tirar todo o drama do fato da masturbação e não diminuir a sua estima e benevolência para com o sujeito»; deverá ajudá-lo a integrar-se socialmente, abrir-se e interessar-se pelos outros, para poder libertar-se desta forma de auto-erotismo, encaminhando-se para o amor oblativo, próprio de uma afetividade madura; ao mesmo tempo o estimulará a recorrer aos meios indicados pela ascese cristã, como sendo a oração e os sacramentos e a empenhar-se nas obras de justiça e de caridade.
101. A homossexualidade, que impede à pessoa de alcançar a sua maturidade sexual, seja do ponto de vista individual, como inter-pessoal, é um problema que deve ser assumido pelo sujeito e pelo educador, quando se apresentar o caso, com toda a objetividade.
«Na ação pastoral estes homossexuais devem ser acolhidos com compreensão e sustentados na esperança de superar as suas dificuldades pessoais e sua desadaptação social. A sua culpabilidade será julgada com prudência; porém não se pode usar nenhum método pastoral que, julgando estes atos conformes à condição daquelas pessoas, lhes atribua uma justificação moral.
Conforme a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são atos carentes da sua regra essencial e indispensável».
102. Será tarefa da família e do educador procurar antes de mais nada individualizar os fatores que levam à homossexualidade: descobrir se se trata de fatores fisiológicos ou psicológicos, se esta será o resultado de uma falsa educação ou da falta de uma evolução sexual normal, se provém de um hábito contraído ou de maus exemplos ou de outros fatores. Muito particularmente, ao procurar as causas desta desordem, a família e os educadores, deverão ter em conta os elementos de juízo propostos pelo Magistério, e ao mesmo tempo servir-se do contributo que as várias disciplinas podem oferecer. Dever-se-á, de fato, levar em consideração, para avaliar, elementos de diversa índole : falta de afeto, imaturidade, impulsos obsessivos, sedução, isolamento social, depravação de costumes, licenciosidade de espetáculos e de publicações. E além de tudo isto, existe mais no profundo, a congênita fraqueza do homem, como consequência do pecado original; esta fraqueza pode levar à perda do sentido de Deus e do homem e ter suas repercussões na esfera da sexualidade.
103. Descobertas e entendidas as causas, a família e os educadores devem proporcionar uma ajuda eficaz no processo de crescimento integral : acolhendo com compreensão, criando um clima de confiança, encorajando o indivíduo à libertação e domínio de si, promovendo um autêntico esforço moral para a conversão ao amor de Deus e do próximo; sugerindo, se for necessário, a assistência médico-psicológica de uma pessoa que atenda e respeite os ensinamentos da Igreja.
104. Uma sociedade permissiva que não oferece valores válidos sobre os quais fundamentar a vida, favorece evasões alienantes a que estão sujeitos, de maneira particular, os jovens. A sua carga de idealismo choca-se com a dureza da vida originando uma tensão que pode provocar, por causa da fraqueza da vontade, uma evasão destruidora na droga.
Este é um dos problemas que se torna cada vez mais grave e que assume tonalidades dramáticas para o educador. Algumas substâncias psicotrópicas aumentam a sensibilidade pelo prazer sexual e, em geral, diminuem a capacidade de auto-controle e, portanto, de defesa. O abuso prolongado da droga leva à destruição física e psíquica. Droga, autonomia mal entendida e desordem sexual, encontram-se frequentemente juntas. A situação psicológica e o contexto humano de isolamento, abandono, revoltas em que vivem os drogados, criam condições tais que levam com facilidade a cometer abusos sexuais.
105. A intervenção reeducativa, que exige uma profunda transformação interna e externa do indivíduo, é trabalhosa e longa, porque deve ajudar a reconstruir a personalidade e as suas relações com o mundo dos homens e dos valores. Mais eficaz é a ação preventiva. Esta procura evitar as carências afetivas profundas. O amor e a atenção educam para o valor, para a dignidade e para o respeito da vida, do corpo, do sexo, da saúde. A comunidade civil e cristã deve saber acolher oportunamente os debandados, sós, inseguros, ajudando-os a inserirem-se no estudo e no trabalho, a ocupar o tempo livre oferecendo-lhes lugares sãos de encontro, de alegria, de atividades, proporcionando-lhes ocasiões para novas relações afetivas e de solidariedade.
Em particular o desporto a serviço do homem possui um grande valor educativo não somente como disciplina física, mas também como ocasião de uma sã distensão na qual o sujeito se treina para renunciar ao seu egoísmo e a confrontar-se com os outros. Somente uma autêntica liberdade, educada, ajudada, promovida, defende da procura das liberdades ilusórias da droga e do sexo.
CONCLUSÃO
106. Destas reflexões pode-se concluir que na atual situação sócio-cultural é urgente oferecer às crianças, aos adolescentes e aos jovens uma positiva e gradual educação afetivo-sexual, em conformidade com as normas conciliares. O silêncio nunca pode ser uma regra válida de comportamento nesta matéria, sobretudo quando se pensa nos numerosos «persuasores ocultos» que usam uma linguagem insinuante. O seu influxo é inegável: cabe, portanto, aos pais vigiar não somente para consertar os danos provocados por intervenções inoportunas e nocivas, mas sobretudo para prevenir oportunamente os seus filhos oferecendo-lhes uma educação positiva e convincente.
107. A defesa dos direitos fundamentais da criança e do adolescente para o desenvolvimento harmônico e completo da personalidade conforme à dignidade de filhos de Deus, cabe em primeiro lugar aos pais. O amadurecimento pessoal exige, de fato, uma continuidade no processo educativo tutelado pelo amor e pela confiança, próprias do ambiente familiar.
108. No cumprimento da sua missão a Igreja tem o dever e o direito, de cuidar da educação moral dos batizados.
A intervenção da escola em toda a educação e particularmente nesta matéria tão delicada deve ser realizada de acordo com a família.
Isto supõe nos educadores e naqueles que participam com um compromisso explícito ou implícito, um reto critério acerca das finalidades da sua intervenção e da preparação para poder tratar este problema com delicadeza e num clima de serena confiança.
109. A fim de que a informação e a educação afetivo-sexual sejam eficazes devem realizar-se com oportuna prudência, com expressões adequadas e preferivelmente de forma individual. O êxito desta educação dependerá, em grande parte, da visão humana e cristã na qual o educador apresentará o valor da vida e do amor.
110. O educador cristão, seja ele pai ou mãe de família, professor, sacerdote e todo aquele que tem responsabilidade neste campo, pode, sobretudo hoje em dia, ser tentado a deixar para outros a tarefa que exige tão grande delicadeza, critério, paciência, coragem e que requer igual generosidade de compromisso no educando. É portanto, necessário, antes de concluir, reafirmar que este aspecto da ação educativa é sobretudo, para o cristão, obra de fé e de confiante procura da graça: cada aspecto da educação sexual, de fato, inspira-se na fé e recebe dela e da graça a força indispensável. A carta de S. Paulo aos Gálatas insere o domínio de si e a temperança no âmbito de quanto o Espírito, e Ele somente, pode realizar no crente. É Deus quem dá luz, é Deus quem comunica a energia suficiente.
111. A Sagrada Congregação para a Educação Católica dirige-se às Conferências Episcopais a fim de que promovam a união dos pais, das comunidades cristãs e dos educadores para uma ação convergente num setor tão importante para o futuro dos jovens e para o bem da sociedade. Convida a assumir este compromisso educativo na confiança recíproca e no mais amplo respeito dos direitos e das competências específicas em vista a uma completa formação cristã.
Sagrada Congregação para a Educação Católica
WILLIAM Card. BAUM
Prefeito
António M. Javierre
Arcebispo tit. de Meta, Secretário
Maiores detalhes aqui.
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